Taleban minimiza iniciativas reconciliatórias do governo afegão

Insurgentes afirmam que Conselho de Paz é 'teatro' de um governo 'marionete'

Efe

29 de setembro de 2010 | 09h13

CABUL - Insurgentes do Taleban afirmaram nesta quarta-feira, 29, que o Conselho de Paz formado pelo governo Afeganistão é um "teatro" e condicionaram qualquer diálogo com as autoridades à retirada prévia das tropas estrangeiras que atuam no país.

 

"A criação de um Conselho de Paz é outro conto desta marionete de governo. Como as pessoas que não acreditam na paz podem trazê-la?", disse um porta-voz dos rebeldes que se identificou como Zabiullah Mujahid. "Não negociaremos, a menos que os invasores se retirem de nosso país", acrescentou.

 

O governo anunciou no início do mês a criação do Conselho de Paz a fim de dialogar com o Taleban e outros grupos insurgentes, e nesta terça-feira nomeou seus 68 integrantes.

 

O porta-voz presidencial, Wahid Omar, anunciou que entre eles há antigos mujahedins (guerreiros santos), membros da sociedade civil, algumas mulheres e também homens ligados antigamente ao Taleban, como o ex-representante do regime perante a Organização das Nações Unidas (ONU), Abdul Hakim Mujahid.

 

O presidente Hamid Karzai obteve em meados deste ano, na Conferência de Cabul, o apoio da comunidade internacional a seu "plano de reconciliação", que prevê uma despesa de US$ 784 milhões em ajuda estrangeira para "reintegrar" 36 mil insurgentes.

 

Em janeiro do ano passado, o Conselho de Segurança da ONU suspendeu a lista de sanções que sobre cinco ex-dirigentes, entre eles Abdul Hakim Mujahid e o ex-ministro de Exteriores dos insurgentes Abdul Wakil Muttawakil.

 

"O Conselho tem muitos membros, e muitos deles são caras conhecidas. Não acredito que estejam muito comprometidos com a paz, e espero que não estejam aí apenas pelo salário", disse Muttawakil. Ele, que vive em Cabul, criticou, além disso, a nomeação de "mulheres muito jovens e não muito conhecidas. Não acho que o Taleban gostará disto".

 

Segundo o ex-ministro de Exteriores, os insurgentes são "inteligentes e não têm pressa", e por enquanto não houve contatos de alto nível entre seus líderes e o governo afegão.

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