Taleban não controlará armas nucleares do Paquistão, diz Gates

No Afeganistão, secretário de Defesa americano diz que insurgentes de usar civis como escudo humano

Agências internacionais,

07 de maio de 2009 | 14h44

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, afirmou nesta quinta-feira, 7, que o Taleban "foi longe demais" ao avançar em um distrito paquistanês perto da capital. Em visita ao vizinho Afeganistão, Gates disse acreditar que o Exército paquistanês esteja combatendo o Taleban. No entanto, há "pouca chance" de que o Taleban possa se fortalecer o suficiente no Paquistão para ganhar controle sobre as armas nucleares do país, avaliou Gates.

 

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O secretário está no Afeganistão para ver como as forças norte-americanas estão se preparando para uma nova investida contra o Taleban e outros grupos militantes. A maior parte de sua viagem, no entanto, está sendo ofuscada por mortes de civis vítimas de um ataque aéreo norte-americano realizado no fim de semana.

 

Gates lamentou as mortes de civis e acusou os taleban de utilizarem a população como escudo em seus ataques às forças internacionais. "Lamentamos profundamente qualquer baixa civil, mas o povo deve reconhecer que causar estas mortes faz parte da estratégia fundamental dos taleban, e é um exemplo da forma impiedosa com a qual lutam", disse Gates em coletiva de imprensa concedida em Cabul.

 

Fontes oficiais afegãs calculam que o número de mortos entre civis pode passar de 100. Em visita a Washington, o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, ordenou ontem uma investigação sobre o incidente. Segundo Gates, "em muitos casos, os taleban usam os civis como escudos. Eles se misturam com à população e, então, atacam" as tropas estrangeiras.

 

Na entrevista, o secretário falou sobre a resposta militar do Exército paquistanês aos avanços da insurgência taleban no noroeste daquele país. Gates explicou que o avanço insurgente em distritos próximos a Islamabad "serviu de alarme" para o Governo, que já iniciou as operações para combater o problema. "Acho que a reação do Exército paquistanês demonstra que este país está consciente do perigo que existe na sua região ocidental", afirmou o secretário, que descartou uma intervenção militar americana no Paquistão.

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