Taleban pede presença da ONU para se render em Kunduz

Os talebans, apoiados por combatentes estrangeiros, resistiam hoje em seu bastião de Kandahar mas ofereceram se render à Organização das Nações Unidas (ONU) na cidade nortista de Kunduz, diante do avanço das tropas da Aliança do Norte e os bombardeios dos Estados Unidos. O Pentágono informou que a Aliança do Norte já controla 75% do Afeganistão. A Aliança, por sua vez, informou ter dado três dias de prazo que os talebans de Kunduz se rendam. Na nortista Kunduz, próxima à fronteira com o Tadjiquistão e o Usbequistão, milhares de milicianos talebans estariam negociando a saída com soldados da Aliança do Norte sob o comando do general Rashid Dostum, da etnia usbeque. Mercenários sem anistia Dostum revelou que a Aliança do Norte planeja conceder uma anistia aos talebans que se renderem, mas não para os "mercenários estrangeiros que os apóiam". Ele referia-se a membros da Al-Qaeda, de Osama bin Laden, entre os quais há paquistaneses, sauditas, egípcios, caxemires e chechenos que se somaram à luta do Taleban no Afeganistão desde que tiveram início os bombardeios norte-americanos, em 7 de outubro. Mas o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald H. Rumsfeld, reiterou hoje, em Washington, a oposição da Casa Branca a essa saída negociada. "Seria lamentável se os estrangeiros da Al-Qaeda, os chechenos e outros que estão aliados ao Taleban no Afeganistão, fossem autorizados a partir, de uma ou outra maneira, para outro país", disse Rumsfeld. Direitos humanos Fontes do regime taleban comentaram sobre uma possível rendição perante as Nações Unidas, mas não ante a Aliança do Norte, já que temem que possam ser massacrados. As Nações Unidas não podem promover uma mediação, disse o enviado especial da ONU para o Afeganistão, Lakhdar Brahimi, que pediu à Aliança do Norte para respeitar os direitos humanos dos que se renderem. O general Dostum, que durante a invasão soviética, de 1979 a 1989, lutou contra os mujahedins ao lado de Moscou, informou que os talebans já se renderam nas cidades nortistas de Khost e Paktia. A agência de notícias AIP, próxima ao Taleban e com sede no Paquistão, divulgou que aviões norte-americanos bombardearam a cidade sulista de Kandahar, o último bastião do Taleban, cujos líderes se retiraram há pouco mais de uma semana das principais cidades do país sem oferecer resistência. As bombas lançadas pelos aviões norte-americanos provocaram cinco mortos, segundo a AIP. Luta até a morte Um dos chefes tribais anti-Taleban no sudoeste do país, o comandante Abdul Rahman Jaan Noorzai, anunciou ter conquistado dois distritos da província de Helmand. "Os problemas começarão quando entrarmos em Kandahar porque os árabes e outros estrangeiros da Al-Qaeda não se renderão, lutarão até a morte", afirmou Noorzai. Nas proximidades de Kandahar estaria escondido Bin Laden, o homem procurado por ser o suposto autor intelectual dos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, disse Kenton Keith, o porta-voz da coalizão antiterrorismo liderada pelo presidente George W. Bush. "Não é possível dizer onde está mas, segundo nossas informações, ele se encontra ao norte ou oeste de Kandahar", afirmou Keith no Paquistão. O líder do Taleban, mulá Mohammed Omar, já designou como seu sucessor, no caso de morrer nas próximas horas, o mulá Ahktar Usmani, chefe das forças de cinco províncias sulistas do Afeganistão. Usami foi designado por Omar depois de consultas com a shura (governo) taleban. Omar está em Kandahar "mas seus movimentos são limitados por motivos de segurança", comentou um porta-voz à AIP. Leia o especial

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