Taleban permite entrada de jornalistas no Afeganistão

A embaixada do Taleban em Islamabad, a única em todo o mundo, concedeu no sábado vistos para jornalistas estrangeiros visitarem o Afeganistão. A prioridade foi dada a repórteres e cinegrafistas de redes de TV internacionais, como a norte-americana CNN e as britânicas BBC e Reuters. Os jornalistas foram levados para Jalalabad e para o vilarejo de Kadam, davastado por um bombardeio norte-americano equivocado. Segundo informaram à Agência Estado funcionários da embaixada, novas autorizações para visitas de jornalistas ao Afeganistão poderão ser concedidas em breve, mas não há um prazo fixado para que isso ocorra. Jornalistas paquistaneses que já tinham visto para entrar no Afeganistão não foram autorizados a integrar a incursão promovida pelo Taleban. As imagens tomadas pelos repórteres levados ao Afeganistão foram exibidas neste domingo (14). Elas mostram a destruição causada pelos pesados bombardeios e depoimentos de feridos levados ao hospital de Jalalabad. O governo do Taleban afirmou que a excursão de jornalistas visa a "mostrar os danos dos ataques a partir da ótica do Afeganistão". Em Islamabad, o Ministério das Relações Exteriores paquistanês advertiu os jornalistas estrangeiros de que eles terão seus vistos de entrada no Paquistão cancelados se tentarem entrar no Afeganistão sem a documentação necessária para isso. "Alguns colegas de vocês têm cruzado a fronteira com o Afeganistão sem a documentação necessária para fazer isso e preocupado governos que pedem nossa ajuda para liberá-los quando pouco nós podemos fazer para ajudar", afirmou o porta-voz do Ministério, Riaz Mohammed Khan. À Agência Estado, Khan afirmou que a advertência se estende a jornalistas que estão visitando áreas do Paquistão nas quais não estão autorizados a atuar. "Qualquer ação que violar as leis de imigração do Paquistão será punida com o cancelamento do visto e a deportação do responsável", afirmou. Nas últimas semanas, as embaixadas do Paquistão em várias partes do mundo vêm restringindo o acesso de jornalistas estrangeiros a algumas regiões do país, como Quetta, Peshawar e a região semiautônoma do Baluchistão. Citando o caso do repórter da revista francesa Paris Match Michel Peyrard, preso na semana passada quando tentava entrar no Afeganistão vestindo uma burka - o traje obrigatório para as mulheres do Afeganistão -, Khan declarou que as incursões ilegais ao Afeganistão põem em risco a vida dos repórteres e causa embaraços para o governo paquistanês. Peyrard foi preso portando câmeras fotográficas e gravadores e segundo o governo do Taleban, será julgado "com rigor" pelo delito de espionagem. Leia o especial

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