Taleban promete ofensiva com homens-bomba

O Taleban prometeu realizar uma ofensiva com milhares de homens-bomba na primavera, no momento em que os Estados Unidos estão dobrando seu contingente de tropas de combate no Afeganistão e assumindo, neste domingo, o comando dos 33.000 homens da força da OTAN no país. O general norte-americano Dan McNeill assumiu a liderança da Força Internacional de Assistência de Segurança (ISAF, das iniciais em inglês), e a OTAN disse que o líder do Taleban em um importante distrito do sul do país foi morto neste domingo, como parte da ofensiva para recapturar a cidade de Musa Qala das mãos dos rebeldes. O Taleban advertiu que 2007 será "o ano mais sangrento para as tropas estrangeiras", afirmando ter 2.000 suicidas prontos para uma ofensiva na primavera, quando a neve do inverno derreter, daqui a alguns meses. "Fizemos 8% dos preparativos para combater forças americanas e estrangeiras e estamos para começar a guerra", disse à Reuters, no sábado, o mulá Hayatullah Khan, líder guerrilheiro de 35 anos, em base secreta no Leste do país. Khan afirma que os 2.000 são apenas 40% dos combatentes que estão se preparando para tornar-se homens-bomba - tática que quase não havia sido usada no país até o ano passado, quando os militantes passaram a copiar o Iraque. "Agora há grande entusiasmo para ataques suicidas entre o Taleban e estes ataques aumentarão" afirmou. Analistas avaliam que McNeill assume o comando da ISAF em um momento importante. "Os primeiros 3 a 5 meses de 2007 são absolutamente cruciais para todo o esforço no Afeganistão em relação ao objetivo da missão, levar segurança às províncias do sul", declarou à Reuters Sean Kay, especialista em segurança e professor de relações internacionais da Universidade Ohio Wesleyan University. "Desde o começo os EUA não colocaram forças suficientes para impedir que a contra-insurgência ressurgisse." Insuficiente"A OTAN continua sofrendo com isso. Simplesmente não há tropas suficiente para fazer uma campanha de sucesso contra a insurgência no sul. Quanto mais o Taleban se fecha, mais a população fica sob seu controle." "E quando não há tropas suficientes para cumprir a missão, quem assume os riscos não tem reforços adequados fora o grande poder aéreo, que quando é aplicado não é exatamente apropriado para uma estratégia de sucesso para ganhar simpatia." O ano passado foi o mais violento desde que as forças lideradas pelos EUA derrubaram o governo do Taleban, em 2001. Mais de 4.000 pessoas morreram, sendo um quarto civis e 170 soldados estrangeiros. O britânico David Richards, carismático general que está deixando o comando das tropas da OTAN, teve reforço de apenas 9.000 homens quando expandiu as ações para a região de abrigo do Taleban, no sul do Afeganistão, durante os nove meses que liderou os soldados. "O ano de 2006 foi um ano em que a ISAF e a ANSF (forças de segurança do Afeganistão) tiveram sucesso e em que o Taleban fracassou", disse. "O Taliban não atingiu nenhum objetivo. Nós provamos que a OTAN pode e derrotará o Taleban militarmente e, com a primavera, uma ofensiva da ISAF, e não do Taleban, serão estabelecidas as condições para derrotar os insurgentes mais uma vez e, inevitavelmente, seus líderes cínicos lançarão homens jovens contra nós para fazer seu trabalho sujo." ReforçoOs EUA dobraram seu contingentes de tropas de combate e ampliaram em quatro meses o tempo de serviço de alguns soldados. Isso fornecerá a força de ação rápida que Richards tanto pediu, mas que nunca recebeu. O presidente George W. Bush está pedindo ao Congresso mais US$ 10,6 bilhões em dois anos para a polícia e para o exército do Afeganistão. Washington está pressionando seus aliados para que mandem mais tropas e acabem com as restrições de combates de seus soldados. Mas até agora somente a Grã-Bretanha e a Polônia mandaram mais soldados. A França está retirando suas forças especiais. O Taleban tomou Musa Qala, na importante província de Helmand, produtora de ópio, na noite de quinta-feira, quatro meses depois da saída das tropas britânicas após um acordo de paz com líderes tribais para manter os insurgentes fora do local. Os EUA criticaram este acordo. Forças da OTAN lançaram uma ofensiva para retomar a cidade, matando o chefe local do Taleban em ataque aéreo neste domingo.

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