Fabrizio Bensch/ Reuters
Fabrizio Bensch/ Reuters

Taleban propõe soltar americano em troca de líderes presos em Guantánamo

Governo afegão impõe condições a Washignton para retomar negociações no Catar

O Estado de S. Paulo,

20 Junho 2013 | 11h40

Em meio a um impasse sobre as negociações de paz com o governo afegão e os Estados Unidos, o Taleban declarou hoje estar disposto a libertar um soldado dos Estados Unidos mantido em cativeiro desde 2009, em troca da liberação de cinco de seus comandantes presos em Guantánamo. Paralelamente ao pedido, o governo de Cabul se disse disposto a voltar à mesa de negociações, um dia depois de abandoná-las.

O sargento Bowe Bergdahl desapareceu da sua base no sudeste do Afeganistão em 30 de junho de 2009 e está no Paquistão. Em entrevista a Associated Press, o porta-voz do Taleban, Shaheen Suhail, disse que o sargento "está em boas condições", sem entrar em detalhes sobre o seu paradeiro. Entre os cinco prisioneiros que integram o grupo extremista estão Khairullah Khairkhwa, um ex-governador do Taleban em Herat, e mulá Mohammed Fazl, ex-comandante militar do grupo. Ambos estão detidos há mais de 10 anos.

"Primeiramente, temos que libertar os detidos", disse Suhail quando questionado sobre Bergdahl. "Sim, isso seria uma troca. Passo a passo, queremos construir laços de confiança para seguir em frente".

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, deve participar da conferência sobre a guerra civil da Síria, que acontece em Doha, capital do Catar, no sábado. Na quarta-feira, em Washington, a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, disse que os Estados Unidos "nunca confirmaram" qualquer horário específico para a reunião com representantes do Taleban em Doha.

A troca de prisioneiros é o primeiro item na agenda do Taleban antes mesmo da abertura de negociações de paz, disse Suhail. A oferta foi feita logo após abertura oficial de um escritório político no Taleban em Doha, nesta semana.

O Afeganistão se opôs à cerimônia de inauguração do escritório, que incluiu o hasteamento de uma bandeira do Taleban e a presença de um cartaz com o nome dado pelo grupo insurgente ao país: Emirado Islâmico do Afeganistão. Segundo Cabul, isso passa a impressão de que o Taleban havia alcançado algum nível de reconhecimento político internacional.

Autoridades afegãs acusaram Washington de quebra de confiança por terem prometido inicialmente que o novo escritório não seria a representação oficial de uma missão de facto. Apesar disso, um porta-voz do governo do Afeganistão disse que o presidente Hamid Karzai está disposto a participar das conversações . "Não vemos qualquer problema em iniciar conversações com o Taleban no Catar, contanto que as exigências sejam cumpridas", disse. / AP e REUTERS

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