Taleban reivindica ataque no Paquistão e ameaça atacar EUA

Atentado contra polícia matou 12; grupo afirma que ação foi retaliação aos disparos americanos no Paquistão

Agências internacionais,

31 de março de 2009 | 09h23

Um comandante da milícia fundamentalista islâmica Taleban reivindicou em nome do grupo nesta terça-feira, 31, a autoria de um ataque perpetrado na véspera contra uma academia de polícia no leste do Paquistão. Ele afirmou ainda que o grupo pretende promover um ataque a Washington.

 

Baitullah Mehsud, por quem os Estados Unidos oferecem recompensa de US$ 5 milhões, disse que o ataque de ontem à academia de polícia de Lahore foi uma retaliação aos disparos de mísseis americanos na região de fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão. "Em breve promoveremos um ataque em Washington que deixará o mundo todo perplexo", assegurou Mehsud em conversa por telefone com a Associated Press. Ele não forneceu detalhes.

 

Acredita-se que Mehsud e outros líderes do Taleban estejam escondidos nas áreas autônomas paquistanesas próximas da fronteira com o Afeganistão. O líder taleban também reivindicou em nome do grupo um ataque suicida com carro-bomba no qual morreram quatro soldados paquistaneses no distrito de Bannu, na segunda-feira, e um ataque suicida contra uma delegacia em Islamabad no qual morreu um policial, na semana passada.

 

Mais cedo, um grupo menos conhecido reivindicou a autoria do ataque contra a academia de polícia, no qual morreram sete policiais, dois civis e oito militantes. Não foi possível reconciliar imediatamente as duas reivindicações.

 

Atentado

 

Um grupo de atiradores invadiu uma academia de polícia em Lahore, leste do Paquistão, mantendo seus cadetes e funcionários como reféns durante cerca de oito horas. Após intenso combate com forças de segurança, a polícia conseguiu retomar o controle do local e prender quatro suspeitos de envolvimento. Outros três militantes teriam se explodido durante o ataque, que também deixou outros nove mortos e pelo menos 90 feridos, segundo o jornal The New York Times.

 

O ataque ocorreu semanas depois de um atentado contra a seleção de críquete do Sri Lanka, no qual dezenas de atiradores abriram fogo contra o ônibus que transportava os atletas em Lahore , deixando sete mortos. Os dois ataques registrados em menos de um mês na cidade de 9 milhões de habitantes - na Província do Punjab e considerada a capital cultural paquistanesa - expuseram a fragilidade do país. Juntamente com o Afeganistão, o Paquistão tornou-se uma das prioridades do governo do presidente dos EUA, Barack Obama, que, na semana passada, apresentou uma revisão da estratégia americana para a região.

 

O cerco altamente coordenado ocorreu na Escola de Treinamento Policial de Manawan, onde estavam aproximadamente 700 cadetes no momento da invasão. De acordo com testemunhas, alguns dos atiradores usavam uniformes de polícia quando entraram no prédio, por volta das 8 horas locais (0h de Brasília), atirando indiscriminadamente e lançando granadas. Os atiradores levavam metralhadoras e pistolas, além de usarem coletes revestidos - normalmente utilizados por homens-bomba.

 

Imagens de TV mostravam explosões e cadetes tentando fugir da escola, pulando muros e procurando abrigo debaixo de veículos estacionados no pátio. Um helicóptero que levava policiais para o local foi atingido pelos atiradores, mas conseguiu pousar em segurança. Dezenas de carros de polícia e ambulâncias foram enviados para o local para dar suporte à operação. Por volta das 16 horas (8h de Brasília), as forças de segurança conseguiram encurralar os atiradores no último andar do prédio, retomando o controle da academia.

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