Taleban rejeita exigências dos EUA

A milícia fundamentalista islâmica que governa o Afeganistão, o Taleban, rechaçou hoje a exigência dos Estados Unidos para que Osama bin Laden seja extraditado, insistindo em que não existe provas de que o dissidente saudita esteve por trás dos ataques contra o World Trade Center e o Pentágono. Muitos afegãos, enquanto isso, fugiam da capital Cabul em caminhões, carroças e a pé - temendo ataques dos EUA. Clérigos muçulmanos advertiram seus fiéis para se prepararem para a guerra. Guardas fronteiriços do Paquistão informaram que tropas do Taleban estão reforçando posições ao longo da fronteira montanhosa.A tensão cresceu na capital - devastada por 23 anos de guerra civil - depois que o presidente George W. Bush advertiu ao Taleban na noite de quinta-feira de que tem de entregar Osama bin Laden e seus principais ajudantes, ou "eles terão a mesma sorte" deles.Discursando numa sessão conjunta do Congresso americano, Bush também exigiu que o Taleban dê aos Estados Unidos pleno acesso a campos de treinamento de terroristas e liberte funcionários humanitários americanos detidos, dizendo que as exigências não estavam abertas a negociação. Bush disse às forças dos EUA para estarem "prontas" para a guerra. O Taleban, entretanto, mostrou-se tão desafiador quanto o presidente americano. A embaixada afegã em Islamabad, Paquistão, afirmou que apesar de líderes religiosos do Afeganistão terem pedido a Bin Laden para deixar o país voluntariamente, eles não expulsariam o suposto líder terroristas."Não houve mudança em nossa posição sobre Osama", disse o embaixador taleban no Paquistão, Abdul Salam Zaeef. "Seria um insulto ao Islã e a suas leis se Bin Laden fosse entregue aos Estados Unidos ou for expulso do Afeganistão". Zaeef insistiu que os Estados Unidos não ofereceram evidências confiáveis de que Bin Laden esteve por trás dos atentados de 11 de setembro.Com crescentes sinais de um iminente conflito, clérigos muçulmanos aproveitaram os tradicionais serviços religiosos de sexta-feira para preparar o povo afegão para a guerra. Oradores em diversas mesquitas lembraram aos fiéis como combatentes afegãos expulsaram as tropas soviéticas do país na década de 80, e prometeram fazer o mesmo com os EUA."Os americanos estão usando Bin Laden como uma desculpa para atacar nosso país", afirmou um líder islâmico, Mohammed Nawab Haideri, a cerca de 8.000 muçulmanos xiitas numa mesquita em Dashat-e-Barchi, um bairro ocidental de Cabul. Haideri disse que todos os afegãos esperam que "a América não irá atacar este pobre país", mas se fizer, "todos os muçulmanos estão prontos para uma jihad", ou guerra santa.Apesar da posição desafiadora, muitos afegãos preferiram participar de um êxodo da capital em busca de um lugar mais seguro no interior. "A maioria das 20 famílias que moravam na minha rua já fugiu", afirmou Mohammed Hussein, enquanto colocava os pertences de sua família numa pick-up para reunir-se a parentes na província de Logar, ao sul de Cabul. "Todos que podem estão partindo".Na última semana, milhares de afegãos rumaram para países vizinhos, entre eles Irã e Paquistão, provocando um potencial crise de refugiados. Os dois países, que já receberam milhões de refugiados afegãos fugindo da ocupação soviética, da guerra civil e de uma atual seca, fecharam suas fronteiras para novos refugiados. O Taleban, uma milícia muçulmana que controla cerca de 95% do país, tem permitido que Bin Laden viva no Afeganistão desde 1996, depois que o governo do Sudão pressionou-o a deixar o país.Jornais paquistaneses publicaram hoje que Bin Laden já havia deixado o Afeganistão na segunda-feira, possivelmente com destino à Chechênia.

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