Taleban resiste mas não governa mais, segundo EUA

"O Taleban não está mais funcionando como governo", afirmou neste domingo o secretário norte-americano de Defesa, Donald Rumsfeld, depois de reunir-se com o chanceler do Paquistão, Abdul Sattar, em Islamabad - quarta etapa de seu giro pela Ásia para consolidar apoios à coalizão antiterrorismo. "Como força militar, o Taleban tem concentrações de poder. Possui capacidade militar e está utilizando seu poder em enclaves para impor sua vontade", disse Rumsfeld, que também se encontrou com o presidente paquistanês, Pervez Musharraf. O chefe do Pentágono iniciou sua viagem no sábado pela Rússia, depois esteve no Tajiquistão, Usbequistão - repúblicas de maioria muçulmana, vizinhas ao Afeganistão - e Paquistão. Ele partiu neste domingo à noite (hora local) para a última etapa de seu tour a Índia. Em Taskhent, a capital usbeque, Rumsfeld insistiu em que a campanha de bombardeios está obtendo "progressos mensuráveis" e voltou a expressar sua gratidão ao presidente do país, Islam Karimov, por ter permitido aos EUA deslocarem tropas para a base aérea de Khanabad, no sul. Essa instalação fica perto da fronteira afegã e abriga agora pelo menos mil americanos. O acordo entre os dois países prevê o uso da base em operações humanitárias e de busca e resgate. Rumsfeld afirmou à imprensa que não há no momento um acerto para modificar essa finalidade.BombardeiosA aviação americana bombardeou intensamente hoje posições da milícia Taleban nas áreas de Cabul, Kandahar, Mazar-i-Sharif e Kunduz - as duas últimas, na região norte, sob forte assédio das forças da frente oposicionista Aliança do Norte. Funcionários de uma entidade humanitária no Paquistão que mantêm contato com o regime afegão disseram que entre 200 e 300 combatentes do Taleban foram feridos nos últimos dias nos bombardeios contra a linha de frente ao norte de Cabul - o que, segundo estimativas de analistas, indicaria um total de 30 a 50 mortes entre os mililcianos islâmicos. Falando a agências internacionais, as fontes destacaram não ter podido verificar os dados em fonte independente. Ao longo da semana, os EUA enviaram os bombardeiros B-52 para o ataque às linhas de frente da milícia ao norte de Cabul. Os EUA também aumentaram significativamente o número de soldados das forças especiais operando em território afegão, confirmou hoje, em Washington, o chefe do Estado-Maior conjunto das Forças Armadas, general Richard Myers. Antes desse anúncio, altos funcionários do Pentágono diziam extra-oficialmente que havia até cem homens no país. Myers não informou quantos militares estão no Afeganistão. Myers também negou informações da revista New Yorker sobre ferimentos em 12 membros da força de elite Delta, um deles com gravidade, em combates com soldados do Taleban no dia 20, no sul do Afeganistão. "Nenhum dos soldados foi seriamente ferido e certamente nenhum deles foi ferido pelo Taleban", garantiu.

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