Taleban será convidado a discutir situação afegã, diz Karzai

Presidente do Afeganistão lançou programa de paz e reconciliação e tem apoio da ONU e de potências mundiais

estadao.com.br,

28 de janeiro de 2010 | 08h21

Ban, Brown e Karzai posam para foto na conferência de Londres. Anthony Devlin/Reuters

 

LONDRES - O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, lançou nesta quinta-feira, 28, durante a conferência para o país em Londres, um plano de paz e reconciliação para estabilizar a situação de segurança na nação asiática e informou que membros do Taleban serão convidados a integrar a mesa de negociações.

 

A informação de que os taleban seriam convidados para a reunião a ser convocada por Karzai foi antecipada por um porta-voz do governo afegão. "Estamos convidando todos os taleban a se unir à Loya Jirga (tradicional reunião de líderes do país). Esperamos que venham", disse Hamid Elmi.

 

Karzai disse que "estenderá a mão" a todos os afegãos não ligados a organizações insurgentes ou terroristas. "Temos que chegar a todos os nossos compatriotas, especialmente aos nossos irmão desencantados que não são parte da Al-Qaeda ou de qualquer outra rede terrorista e que respeitam a Constituição", disse o presidente.

 

Falando a cerca de 70 representantes de países e organizações, Karzai pediu também aos países vizinhos, principalmente ao Paquistão e à Arábia Saudita, que colaborem e tenham um papel fundamental no processo de paz. "Vamos estabelecer um conselho nacional para a paz, a reconciliação e a reintegração. Esperamos que Sua Majestade, o rei Abdullah bin Abdul-Aziz, tenha um papel proeminente para guiar e ajudar no processo de paz", disse Karzai, referindo-se ao rei saudita.

 

O presidente afegão disse que a estabilidade do país depende também das nações vizinhas e pediu ajuda do Paquistão. "Pedimos aos nossos vizinhos, principalmente ao Paquistão, que apoiem nossos esforços pela paz e pela reconciliação", disse Karzai, citando os laços entre o Taleban e a Al-Qaeda no Paquistão.

 

O Paquistão e a Arábia Saudita foram dois dos únicos três países que reconheceram o governo taleban antes de este ter sido expulso do Afeganistão na invasão de 2001 liderada pelos EUA.

 

Apoio

 

As potências mundiais planejam financiar programas de diálogo com o Taleban no Afeganistão para encorajar os insurgentes a desistir da violência, disse nesta quinta-feira, 28, o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, na abertura da conferência mundial para o país asiático.

 

"Estamos em um momento decisivo para a cooperação internacional, que precisa ajudar o povo afegão a assegurar e governar seu próprio país. Esta conferência marca o início de um processo de transição", disse Brown no início do encontro.

 

"Estamos estabelecendo um fundo internacional para financiar os programas de paz e reintegração liderados pelo Afeganistão para garantir uma alternativa econômica para aqueles que não tem nenhuma", continuou o premiê. "Mas aos insurgentes que se recusarem a aceitar as condições para a reintegração, não temos escolha se não persegui-los militarmente", completou referindo-se à luta militar contra o Taleban, que já dura mais de oito anos.

 

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O líder britânico também falou sobre começar a entregar a segurança do país para as tropas afegãs ainda esta ano, processo progressivo que chamou de "afeganização" e que pode começar "mais cedo do que se imagina". Segundo ele, o sucesso desta missão é "vital para a segurança de todos", e para isso há "uma estratégia clara na qual está sendo feito progresso".

   

ONU

 

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu um enfoque civil para o processo de paz no país e que não prevaleça a parte militar na transição da segurança para as tropas afegãs. "É importante proteger a população civil e, ainda que a segurança seja o elemento central da estratégia, não é o único objetivo a ser alcançado", disse o chefe da entidade.

 

Para Ban, a segurança, um bom governo, a luta contra a corrupção, a integração regional e a cooperação com os países vizinhos são os fatores fundamentais para a estabilidade afegão. O secretário-geral pediu ainda um "compromisso de longo" prazo da comunidade internacional com o Afeganistão, mas lembrou que o governo de Cabul também tem suas responsabilidades e que deve "transportar seus compromissos para a vida real dos cidadãos".

 

Quanto à ONU, Ban disse que a entidade "segue comprometida até que o for necessário para reforçar a coordenação e os vínculos com todos os atores afegãos, que têm uma responsabilidade em comum para construir instituições responsáveis e sustentáveis".

 

EUA

 

Os EUA apoiam o plano de transição de poder da Otan, mas dizem que ele não significa a retirada das tropas internacionais do Afeganistão, segundo a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

 

"Apoiamos o plano de transição da Otan, mas deve ficar claro para os afegãos, nossos companheiros e cidadãos, e assim como para os extremistas, que isso não é uma estratégia de saída do país", disse a representante americana presente na conferência de Londres.

 

Com agências Efe, Reuters e AP

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