Jessica Rinaldi/AP
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Taleban volta a ameaçar Malala de morte

Grupo terrorista diz que voltará a atacá-la assim que tiver a oportunidade

O Estado de S. Paulo,

08 de outubro de 2013 | 11h30

MIRANSHAH, PAQUISTÃO - O grupo terrorista Taleban do Paquistão voltou a ameaçar a menina Malala Yousafzai na segunda-feira por ela falar "contra o Islã", afirmou um porta-voz à agência AFP. Há um ano, um homem armado, enviado pelo Taleban, entrou no ônibus escolar em que estava Malala e atirou contra a garota.

"Voltaremos a atacá-la assim que tivermos a oportunidade", afirmou Shahidullah Shahid. "Atacamos a Malala porque ela falava contra os talebans e o Islã e não porque ia ao colégio."

A garota paquistanesa luta pelo direito à educação para meninas e se tornou um símbolo mundial da luta contra o extremismo religioso. Malala é forte candidata a ganhar o prêmio Nobel da Paz, que será anunciado nesta sexta-feira.

Em 2009, quando tinha 11 anos, a menina escreveu um blog, sob o pseudônimo de Gul Makai, na página da BBC denunciando o abuso dos talebans, que controlavam a região de Swat, onde ela vivia, no noroeste do Paquistão. "Ela não é uma menina valente, não tem valor. Inclusive utilizou um nome falso em seu blog", disse Shahid, segundo a AFP.

As novas declarações do grupo terrorista ocorrem dias antes do aniversário de um ano do atentado contra Malala - ocorrido em 9 de outubro de 2012. Nesta semana, a paquistanesa publica sua autobiografia.

Em julho, o líder do Taleban paquistanês, Adnan Rasheed, já havia dito, em uma carta aberta a Malala, que ela foi atacada não por promover a educação de meninas, mas por "liderar uma campanha" contra o Taleban. "Você disse que a caneta é mais poderosa que a espada", escreveu Rasheed, referindo-se ao discurso de Malala à ONU, quando ela completou 16 anos. "Eles (o Taleban) a atacaram por sua espada e não seus livros."

O líder do grupo terrorista disse, na ocasião, ter ficado "chocado" e "arrependido" por não ter "aconselhado" Malala antes. "Eu estava escondido quando você foi atacada. Foi um choque, queria que nunca tivesse acontecido. Queria tê-la aconselhado. Não vou argumentar se foi correto ou não, se você merecia ser morta ou não."

Diálogo. No mesmo dia das declarações de Shahid, Malala pediu para dialogar com extremistas do Taleban para resolver os problemas e alcançar a paz. Em entrevista para a rede BBC, ela afirmou que "matar, torturar e castigar gente vai contra o Islã. Estão (talebans) utilizando mal o nome do Islã."

Durante a entrevista, a menina também disse querer voltar algum dia ao Paquistão. "Vou ser política no futuro. Quero mudar o futuro do meu país e quero que a educação seja obrigatória."

"Eu espero que chegue o dia em que o povo do Paquistão seja livre, tenha seus direitos, paz, e que todas as meninas e crianças possam ir à escola", afirmou Malala./ EFE

 
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