Roohullah Anwari/AP
Roohullah Anwari/AP

Talibã ataca posto avançado afegão e mata 21 soldados

Trata-se do mais violento incidente contra o exército do país em pelo menos um ano

Agência Estado

23 Fevereiro 2014 | 09h33

Centenas de insurgentes do Talibã fortemente armados atacaram um posto avançado do exército afegão no leste do país neste domingo, matando 21 soldados. Trata-se do mais violento incidente contra o exército do país em pelo menos um ano.

Em resposta aos ataques, após os quais vários soldados ficaram desaparecidos, o presidente Hamid Karzai adiou uma viagem que faria ao Sri Lanka.

O general Mohammad Zahir Azimi, porta-voz do Ministério da Defesa, disse que "centenas" de insurgentes estrangeiros e afegãos cruzaram a fronteira para realizar o ataque, que aconteceu no distrito montanhoso de Ghazi Abad, província de Kunar, durante a madrugada.

Azimi não especificou que fronteira foi cruzada, mas Kunar fica perto do Paquistão. A região é um reduto de militantes, onde, acredita-se, operem insurgentes árabes e de outros países juntamente com o Talibã afegão.

O Talibã assumiu a responsabilidade pelo ataque deste domingo em comunicado enviado por e-mail, no qual diz também que um de seus integrantes foi morto e dois ficaram feridos durante a ação.

O grupo tem intensificado os ataques nos últimos meses e tenta tirar vantagem da retirada das tropas estrangeiras do país no final de 2014. O número de baixas entre as tropas afegãs tem aumentado significativamente desde que assumiram a liderança da guerra contra o Talibã. Desde o início de 2014, 84 soldados do exército afegão foram mortos.

Azimi disse que 21 soldados afegãos morreram e que três ficaram feridos no ataque, que foi seguido por uma batalha intensa que durou quatro horas entre militares e insurgentes. Uma unidade do exército que seguia para dar apoio à operação também foi atingida por um ataque suicida, disse ele, mas não houve mortos entre os militares.

O general Abdul Habib Sayedkhaili, chefe de polícia da província de Kunar, disse que havia cerca de 30 soldados no posto avançado, quando insurgentes atacaram de três lados com granadas propelidas por foguete, morteiros e armas leves.

Segundo ele, dos sete soldados inicialmente desaparecidos, três foram encontrados com vida, mas as forças de segurança continuavam buscando os demais. Não estava claro se os soldados haviam sido sequestrados ou fugido durante o ataque.

Em comunicado condenando o ataque, Karzai pediu ao Paquistão que tome medidas sérias para destruir os redutos terroristas e combater as atividades desses grupos.

O Paquistão tem uma relação complicada com o Talibã. O país ajudou o grupo a tomar o comando do Afeganistão em 1996 e Cabul tem repetidamente acusado Islamabad de fornecer abrigo aos insurgentes em seus território após a invasão do país por forças lideradas pelos Estados Unidos em 2001. Fonte: Associated Press.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.