Taliban paquistanês diz ter atacado comboio do consulado dos EUA

O Taliban paquistanês declarou nesta sexta-feira ter atacado o comboio de um consulado dos EUA na volátil cidade de Peshawar, no noroeste do país, a mais recente agressão de uma escalada de violência desde que forças norte-americanas mataram o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, no começo do mês.

FARIS ALI, REUTERS

20 de maio de 2011 | 09h55

A polícia disse que um carro-bomba foi detonado por controle remoto enquanto o comboio passava, matando um paquistanês. Doze pessoas foram feridas.

Alberto Rodriguez, porta-voz da embaixada dos EUA, disse que dois norte-americanos sofreram ferimentos leves. A polícia afirmou que os dois eram guardas de segurança.

O ataque ao comboio de dois carros aconteceu na estrada de uma região onde vivem muitos diplomatas ocidentais e envolveu 50 kg de explosivos, informou a polícia.

"Houve um ataque a um comboio de dois carros do consulado em Peshawar. Um carro foi atingido. Ainda estamos investigando o que de fato aconteceu", disse Rodriguez.

O chefe da polícia de Peshawar, Liaqat Ali, declarou que a explosão foi causada por um carro-bomba detonado remotamente.

"Não foi um ataque suicida", disse ele à Reuters.

Foi o primeiro ataque a ocidentais desde a morte de Bin Laden no início de maio.

Peshawar já testemunhou muitas operações de militantes do Taliban que buscavam derrubar o governo paquistanês, apoiado pelos EUA, e foi o lar de Bin Laden nos anos 1980, quando islâmicos combatiam a ocupação soviética do Afeganistão.

A Al Qaeda e seu aliado, o Taliban paquistanês, prometeram vingar a morte de Bin Laden, e o grupo disse que terá como alvos o governo paquistanês e seus aliados ocidentais.

"O corpo diplomático de todos os países da Otan são nossos alvos", disse Ehsanullah Ehsan, um porta-voz do Taliban, à Reuters por telefone de um local não revelado.

"Continuaremos tais ataques. O Paquistão é nosso primeiro alvo, e os Estados Unidos são o segundo."

Muitos paquistaneses estão frustrados com a incapacidade das forças de segurança de sobrepujar o Taliban. Em outro ataque ocorrido nesta sexta-feira, uma explosão matou cinco pessoas e feriu quatro na região tribal de Orakzai, no nordeste, disseram autoridades.

"A segurança após a morte de Osama está mais frouxa ao invés de mais forte. Estamos nos sentindo inseguros", disse Tahir Khan, um estudante de 20 anos, próximo do local da detonação em Peshawar.

(Reportagem adicional de Zeeshan Haider em Islamabad, Izaz Mohmand, Khurram Pervez e Saad Khan em Peshawar e Saud Mehsud em Dera Ismail Khan)

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