Taliban paquistanês exige libertação de viúvas de Bin Laden

O Taliban paquistanês vai atacar autoridades civis, militares e policiais do país caso três das esposas do falecido líder militante Osama bin Laden não sejam libertadas da prisão, disse um porta-voz do grupo nesta sexta-feira.

SAUD MEHSUD, REUTERS

09 de março de 2012 | 10h45

O governo do Paquistão indiciou as três viúvas por entrarem e permanecerem ilegalmente no país, disse na quinta-feira o ministro do Interior, Rehman Malik.

"Se a família de Osama bin Laden não for libertada assim que possível, vamos atacar os juízes, os advogados e as autoridades de segurança envolvidas no julgamento delas", afirmou à Reuters o militante Ehsanullah Ehsan, do grupo Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP).

"Vamos realizar atentados suicidas contra as forças de segurança e o governo em todo o país", acrescentou ele.

O ministro não especificou qual tribunal está lidando com o caso. As três mulheres devem ser submetidas a julgamento, mas não ficou claro a qual pena estão sujeitas.

Bin Laden foi morto em maio de 2011 por militares norte-americanos que realizaram uma operação clandestina na localidade de Abbottabad, no norte do Paquistão.

O corpo do líder da Al Qaeda foi levado embora pelas forças especiais dos Estados Unidos, mas suas três esposas e um número não divulgado de filhos estavam entre as 16 pessoas detidas por autoridades paquistanesas após a ação.

Duas das viúvas são sauditas, e uma é iemenita, segundo a chancelaria paquistanesa.

O Paquistão havia anunciado anteriormente a intenção de repatriar as mulheres depois interrogá-las para tentar descobrir como Bin Laden conseguiu permanecer incógnito no país, vivendo em uma cidade cheia de guarnições militares.

O TTP prometeu no ano passado vingar a morte de Bin Laden, e já realizou vários atentados violentos no Paquistão, inclusive ao bombardear um comboio de um consulado norte-americano, sitiar uma base naval e matar cadetes paramilitares.

Formado em 2007, o TTP reúne diversas facções militantes que operam nas turbulentas zonas tribais do noroeste paquistanês, na região da porosa fronteira com o Afeganistão.

O porta-voz do grupo também ameaçou realizar ataques contra a ativista dos direitos femininos Shad Begum, radicada em Peshawar, no noroeste paquistanês.

Na quinta-feira, em uma cerimônia em Washington, ela recebeu o prêmio Mulheres de Coragem Internacional, concedido anualmente pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.

"Ela trabalha para um sistema laico e infiel no Paquistão", disse Ehsan. "Por isso a América lhe deu esse prêmio."

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