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Rodrigo Abd/AP
Rodrigo Abd/AP

Tanques de Assad cercam Idlib e rebeldes sírios temem novo massacre

Pressão sobre ditador cresce enquanto opositores celebram deserção do Exército de Damasco

Lourival Sant’Anna - O Estado de S.Paulo,

08 de março de 2012 | 23h29

ANTAKYA, TURQUIA - As forças leais ao presidente Bashar Assad cercaram ontem a cidade de Idlib, no noroeste da Síria, causando temores de que estejam preparando um ataque semelhante ao que arrasou Homs, no centro-oeste do país. Ativistas da oposição ligados aos rebeldes em Idlib disseram ao Estado que 140 ônibus cheios de soldados e 42 tanques chegaram aos arredores da cidade, com pouco mais de 100 mil habitantes.

O regime tem afirmado que há "grupos terroristas armados" em Idlib - espécie de senha que precede o bombardeio das cidades sírias. Os oposicionistas ouvidos pelo Estado reconhecem que há rebeldes armados de fuzis Kalashnikov na área.

Os militares ordenaram pelos alto-falantes das mesquitas que os desertores do Exército Livre da Síria (ELS) deponham armas. Muitas famílias abandonaram suas casas. De acordo com os grupos locais que contam as baixas civis, 62 pessoas morreram nos confrontos de ontem em todo o país.

O ELS anunciou nesta quinta-feira que mais quatro generais de brigada de Assad desertaram e fugiram para a Turquia. Ao todo, sete oficiais dessa patente já teriam debandado, diz a oposição. Também renunciou o vice-ministro de Petróleo da Síria, Abdo Hussameldin - que, num vídeo postado na internet, diz ter rompido com Assad "por razões morais".

A subsecretária-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Valerie Amos, que inspecionou Baba Amr na quarta-feira, disse ontem ter ficado "assombrada" com o que viu. O bairro em Homs foi "totalmente destruído", segundo ela. A ONU havia solicitado acesso à área na sexta-feira, depois que a região foi ocupada na véspera pelas forças leais a Assad, ao fim de 27 dias de bombardeio. Quando finalmente entrou, a maioria dos moradores tinha ido embora.

Todos os dias surgem novas denúncias de atrocidades contra os moradores de Homs. Em um vídeo de 4 minutos publicado ontem no YouTube, uma mulher coberta com um chador preto afirma que foi estuprada por cinco agentes das forças de segurança, que a acusavam de esconder armas em sua casa e ameaçaram matar seu filho.

O ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, que deve chegar amanhã à Síria, disse que vai "pressionar pelo fim da violência", mas a "solução para o conflito está em um acordo".

Annan foi nomeado enviado da ONU e da Liga Árabe para a Síria. Suas declarações foram criticadas por oposicionistas sírios, que há muito não veem possibilidade de diálogo com Assad. O governo turco, um dos que mais têm criticado a repressão na Síria, advertiu ontem contra uma ação militar das potências.

"A Turquia é contra a intervenção de qualquer força de fora da região", disse o presidente turco, Abdullah Gul. A base de Incirlik, utilizada pela Otan, fica a menos de 200 quilômetros da fronteira síria. "Tal intervenção seria objeto de exploração", explicou Gul. Ele acrescentou, durante encontro com o presidente Moncef Marzouki, na Tunísia, o país onde começaram as revoluções árabes, há mais de um ano: "Não é possível a nenhum regime manter-se por meio do uso da violência e da ditadura. A decisão de usar as Forças Armadas contra o povo tornou a questão de interesse internacional".

1,5 milhão de sírios estão à beira da fome, diz ONU

A ONU estimou ontem que 1,5 milhão de sírios estão sob risco de passar fome e alertou que o país pode enfrentar uma crise humanitária se uma ajuda avaliada em US$ 100 milhões não chegar. Reunidas em Genebra, as agências de ajuda da ONU indicaram que a situação é delicada e a comunidade internacional não pode mais apenas assistir à crise sem agir. Segundo a ONU, a produção de alimentos no país desabou, a moeda perdeu seu valor, a economia encolheu e a inflação subiu 20%. /JAMIL CHADE

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