Rodrigo Abd/AP
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Tanques de Assad cercam Idlib e rebeldes sírios temem novo massacre

Ativistas da oposição disseram ao 'Estado' que 140 ônibus cheios de soldados e 42 tanques chegaram aos arredores da cidade

LOURIVAL SANTANNA, ENVIADO ESPECIAL / , ANTAKYA, TURQUIA, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2012 | 03h05

ANTAKYA - As forças leais ao presidente Bashar al-Assad cercaram ontem a cidade de Idlib, no noroeste da Síria, causando temores de que estejam preparando um ataque semelhante ao que arrasou Homs, no centro-oeste do país. Ativistas da oposição ligados aos rebeldes em Idlib disseram ao "Estado" que 140 ônibus cheios de soldados e 42 tanques chegaram aos arredores da cidade, com pouco mais de 100 mil habitantes.

 

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O regime tem afirmado que há "grupos terroristas armados" em Idlib - espécie de senha que precede o bombardeio das cidades sírias. Os oposicionistas ouvidos pelo Estado reconhecem que há rebeldes armados de fuzis Kalashnikov na área.

Os militares ordenaram pelos alto-falantes das mesquitas que os desertores do Exército Livre da Síria (ELS) deponham armas. Muitas famílias abandonaram suas casas. De acordo com os grupos locais que contam as baixas civis, 62 pessoas morreram nos confrontos de ontem em todo o país.

O ELS anunciou ontem que mais quatro generais de brigada de Assad desertaram e fugiram para a Turquia. Ao todo, sete oficiais dessa patente já teriam debandado, diz a oposição. Também renunciou o vice-ministro de Petróleo da Síria, Abdo Hussameldin - que, num vídeo postado na internet, diz ter rompido com Assad "por razões morais".

A subsecretária-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Valerie Amos, que inspecionou Baba Amr na quarta-feira, disse ontem ter ficado "assombrada" com o que viu. O bairro em Homs foi "totalmente destruído", segundo ela. A ONU havia solicitado acesso à área na sexta-feira, depois que a região foi ocupada na véspera pelas forças leais a Assad, ao fim de 27 dias de bombardeio. Quando finalmente entrou, a maioria dos moradores tinha ido embora.

Todos os dias surgem novas denúncias de atrocidades contra os moradores de Homs. Em um vídeo de 4 minutos publicado ontem no YouTube, uma mulher coberta com um chador preto afirma que foi estuprada por cinco agentes das forças de segurança, que a acusavam de esconder armas em sua casa e ameaçaram matar seu filho.

O ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, que deve chegar amanhã à Síria, disse que vai "pressionar pelo fim da violência", mas a "solução para o conflito está em um acordo".

Annan foi nomeado enviado da ONU e da Liga Árabe para a Síria. Suas declarações foram criticadas por oposicionistas sírios, que há muito não veem possibilidade de diálogo com Assad. O governo turco, um dos que mais têm criticado a repressão na Síria, advertiu ontem contra uma ação militar das potências.

"A Turquia é contra a intervenção de qualquer força de fora da região", disse o presidente turco, Abdullah Gul. A base de Incirlik, utilizada pela Otan, fica a menos de 200 quilômetros da fronteira síria. "Tal intervenção seria objeto de exploração", explicou Gul. Ele acrescentou, durante encontro com o presidente Moncef Marzouki, na Tunísia, o país onde começaram as revoluções árabes, há mais de um ano: "Não é possível a nenhum regime manter-se por meio do uso da violência e da ditadura. A decisão de usar as Forças Armadas contra o povo tornou a questão de interesse internacional".

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