Tanques e navios atacam porto da Síria pelo terceiro dia

Ofensiva deixa 31 mortos, dizem testemunhas; campo de refugiados palestinos é alvo de tropas de Assad

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Apesar das ameaças dos EUA e da Turquia, o governo da Síria manteve a ofensiva pelo segundo dia seguido contra a cidade portuária de Latakia . Ao todo, 31 pessoas foram mortas nos ataques para conter levantes opositores.

A Marinha síria vem sendo usada na operação, segundo ativistas da cidade. Imagens divulgadas na internet também exibem embarcações, mas não há como confirmar a veracidade das informações. Damasco nega ter usado navios. O Departamento de Estado, por meio de sua porta-voz Victoria Nuland, disse não ter comprovação do uso dos navios de guerra, apesar de confirmar a presença de blindados.

Os alvos dos disparos são, segundo opositores, bairros sunitas e campos de refugiados palestinos. "Relatos citam mortes e feridos entre a população de refugiados" disse Christopher Gunness, porta-voz da Acnur (Agência da ONU para refugiados). Estima-se que até 10 mil palestinos fugiram após o ataque sírio.

Antes da ofensiva contra Latakia, as forças de Bashar Assad já haviam lançado uma ampla operação contra as cidades de Hama e Deir al-Zor. Duas mil pessoas teriam sido mortas desde o início do levante, em março, segundo a oposição. O governo diz que 500 militares morreram em ataques da oposição, mas não há confirmação independente.

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, que se reuniu com Assad na semana passada, deu um ultimato ao regime de Damasco. "É nossa última advertência. Os ataques precisam parar imediatamente. Se não forem interrompidos, medidas serão tomadas", afirmou o chanceler , sem especificar o que poderia ocorrer com o regime sírio.

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