Tanques israelenses entram em Jenin

Tanques israelensesentraram na cidade autônoma palestina de Jenin, norte daCisjordânia, disparando metralhadoras. Palestinos responderam aofogo.A incursão começou logo depois do fim de uma reunião dogabinete de segurança israelense que discutiu uma respostamilitar ao atentado suicida a bomba desta terça em Jerusalém.A bomba, presa ao corpo de um atacante e envolvida com pregos, explodiu num ônibus lotado em Jerusalém,matando 19 israelenses. Apesar de Israel responsabilizar o líderpalestino Yasser Arafat pelo ataque, os líderes do país pesavamas conseqüências políticas de uma resposta militar.Depois do anoitecer, sete tanques israelenses entraram nacidade cisjordaniana de Jenin, informaram fontes de segurançapalestinas. O Exército de Israel não fez comentários imediatos.Não estava claro se a incursão fazia parte de uma respostaisraelense ao atentado em Jerusalém. Tais incursões vêmocorrendo diariamente.Israel tem normalmente respondido a ataques suicidas comrápidas ações militares. Mas o Exército de Israel não agiu nashoras imediatas à explosão e previa-se que a deliberação sobrecomo reagir levaria em consideração planos do presidente dosEstados Unidos, George W. Bush, de fazer um importante discursopolítico sobre o Oriente Médio nesta semana.Bush deve propor a criação de um "Estado palestinoprovisório" em partes da Cisjordânia e da Faixa de Gaza semdecidir sobre suas fronteiras definitivas - e apesar de nenhumdos lados ter abraçado a idéia, existe alguma esperança de queum renovado e intenso esforço diplomático dos EUA ajude a pôrfim a quase 21 meses de carnificina e desespero.O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, visivelmenteirritado, visitou o local do atentado desta terça e andou lentamentediante da fila de cadáveres cobertos com sacos de plástico. Doisestudantes que iam para a escola estavam entre os mortos, equatro estavam entre as dezenas de feridos no mais mortal ataquesuicida em seis anos em Jerusalém.Sharon jurou dar uma resposta ao terrorismo, pelo qual seugoverno culpa Arafat. O líder israelense questionou comirritação a capacidade de Arafat de administrar um Estado,dizendo: "É interessante saber que tipo de Estado palestinoeles pretendem."Apesar de deixar claro que quer Arafat fora do poder, Sharonnão estava aparentemente pronto para enviá-lo ao exílio. E aprevista iniciativa dos EUA torna politicamente difícil nomomento lançar uma ofensiva militar como a "Operação MuralhaProtetora" - a recente campanha maciça que matou e prendeumuitos altos militantes suspeitos de estar por trás de taisataques.Nesta terça-feira, testemunhas disseram que as forças de segurança deIsrael mataram a tiros um ativista palestino do grupo extremistaJihad Islâmica.O comentarista político israelense Keren Neubach disse à tevêde Israel que Sharon voltou a pensar em expulsar Arafat depoisda explosão, mas decidiu não apresentar a questão a uma votaçãono Gabinete porque alguns de seus chefes de segurança se opõem àidéia.Israel teria de convencer Bush de que a expulsão seria a opção"menos prejudicial", se Sharon enviar Arafat ao exílio eretomar áreas controladas pelos palestinos, disse o especialistaisraelense em política estratégica Gerald Steinberg, daUniversidade Bar-Ilan, em Tel Aviv. "Se Sharon rejeitar a posição de exilar Arafat... serásomente por causa da necessidade percebida de trabalhar com opresidente Bush e permitir que sua iniciativa tenha sucesso",avaliou Steinberg.Entretanto, a Autoridade Palestina e o povo palestino em geralacreditavam que a resposta atingiria Arafat, e algumasorganizações internacionais ordenaram que seus empregados deixemRamallah, a cidade cisjordaniana onde o líder palestino mantémseu quartel-general, que tem ficado ocasionalmente sob cercodesde dezembro.A Autoridade Palestina condenou veementemente o atentado, masnão se acreditava que palavras iriam afetar a resposta de Israel,e a liderança palestina não parecia pronta para agirdecisivamente contra grupos radicais operando em seu território,como o Estado judeu tem exigido.Em Washington, a Casa Branca informou que Bush condenou oatentado "nos termos mais fortes possíveis", mas assessoresnão quiseram dizer se haveria adiamento em seu discurso políticosobre o Oriente Médio, previsto para quinta-feira.Bush vem trabalhando em seu plano de paz para o Oriente Médiopor semanas, durante as quais reuniu-se com Sharon, líderesárabes, entre eles o presidente egípcio, Hosni Mubarak, e opríncipe herdeiro saudita Abdullah, e autoridades palestinas.Depois do atentado, Israel parecia estar advertindo líderesárabes de que estavam acabando as chances de Arafat - e que, se osárabes não condenassem tais ataques, Israel seria forçado aagir.O ministro da Defesa israelense, Benjamin Ben-Eliezer,conversou com Osama el-Baz, alto assessor de Mubarak, e com oprimeiro-ministro jordaniano, Ali Abul-Ragheb, para"informá-los da grave situação em Israel após os recentesataques terroristas", segundo um comunicado do Ministério daDefesa.Ben-Eliezer enfatizou aos dois que a obrigação do governo deIsrael é proteger seus cidadãos e, segundo o comunicado, buscar"uma determinação consolidada no mundo árabe contra a políticade terror e violência". Esta política, para Ben-Eliezer,"tende a romper a estabilidade regional".O ministro do Exterior israelense, Shimon Peres, suspendeu umaviagem ao leste europeu e retornou a Israel após o atentado. A bomba explodiu dentro do ônibus poucoantes das 8h locais, quando o veículo estava parado nummovimentado cruzamento, lançando corpos pelas janelas earrancando o teto e as paredes laterais.O grupo fundamentalista islâmico Hamas assumiuresponsabilidade pelo atentado. O atacante foi identificado comoMohammed al-Ghoul, de 22 anos, que fazia mestrado em estudosislâmicos e vivia no campo de refugiados de Al Faraa, nasproximidades de Nablus, Cisjordânia.A polícia de Jerusalém tinha estado em alerta máximo desdesegunda-feira, depois de ter recebido advertências de queatacantes suicidas à bomba estavam tentando promover um atentadona cidade. Leia o especial

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