Tanques israelenses ocupam o centro de Nablus

Em represália ao atentado desta quarta-feira em Jerusalém Oriental, o Exército israelense enviou na madrugada desta sexta-feira (dia 2, pelo horário local) dezenas de blindados para o centro da cidade palestina de Nablus, na Cisjordânia. Segundo testemunhas, cerca de 150 tanques e blindados do Exército entraram na Cidade Velha de Nablus, disparando metralhadoras de grosso calibre. Com apoio dos blindados, as tropas israelenses, que já ocupavam a periferia de Nablus, reforçaram sua presença no centro, onde entraram em confronto com palestinos. Pelo menos dois palestinos morreram. Ao todo, sete das oito cidades autônomas palestinas na Cisjordânia estão sob ocupação militar israelense e toque de recolher. Nos Estados Unidos, o presidente George W. Bush disse estar "furioso" e tão irritado quanto Israel pelo atentado na Universidade Hebraica de Jerusalém. "Mas ainda acredito que a paz seja possível." Dos sete mortos no atentado na cantina do câmpus do Monte Scopus, cinco eram norte-americanos (dois deles com dupla cidadania israelense e francesa). Ficaram feridas 80 pessoas, entre árabes e judeus israelenses e vários estrangeiros (inclusive um brasileiro). "Israel tem de se defender, mas digo a todas as partes envolvidas: temos de manter em mente a visão da paz", afirmou Bush ao receber o rei da Jordânia, Abdallah II, com quem discutiu o estancado processo de paz no Oriente Médio. As forças de segurança israelenses prenderam vários funcionários árabes da universidade suspeitos de terem ajudado os extremistas do grupo radical Hamas, que assumiu a responsabilidade pelo atentado. Israel está em alerta máximo, pois o Hamas ameaçou matar "cem israelenses" para cada um de seus líderes mortos (numa referência ao bombardeio que matou o dirigente de seu braço armado, em Gaza, na semana passada). O corpo do israelense Shani Ladani, de 27 anos, foi encontrado nesta sexta-feira perto da área industrial da cidade palestina de Tulkarem. Os militares acreditam que ele foi morto por palestinos durante intervalo no toque de recolher. Em Khan Yunis, na Faixa de Gaza, a menina palestina Asmaa Ahmed Tahsine, de seis anos, foi morta por disparos de soldados israelenses perto de sua casa, situada nos limites de um assentamento judaico, informaram fontes hospitalares. O governo israelense informou ter prendido um palestino que pretendia jogar cianureto no reservatório de água de uma das cidades do país. Nesta sexta, o Exército israelense também começou a pôr em prática a decisão do gabinete de segurança de expulsar parentes de extremistas palestinos da Cisjordânia para a Faixa de Gaza, demolir suas casas e confiscar seus bens. Os militares ordenaram a deportação de dois irmãos de militantes acusados de terem participado da emboscada contra um ônibus que levava colonos judeus para o assentamento de Emanuel, na Cisjordânia, no dia 17. No ataque morreram nove pessoas. Os dois palestinos poderão apelar para a Suprema Corte, que determinou dias atrás só ser possível a expulsão de pessoas comprovadamente envolvidas em atentados. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, afirmou estar "profundamente preocupado" com essa medida e alertou Israel sobre a necessidade de cumprir as leis humanitárias internacionais. Israel também voltou a demolir casas dos parentes de ativistas. Foram destruídas duas residências nesta sexta, e o Exército não permitiu aos moradores recolherem antes seus pertences. Grandes Acontecimentos InternacionaisESPECIAL ORIENTE MÉDIO

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