Tão difícil quanto um divórcio

Não havia, na campanha pelo Brexit, proposta concreta para a vitória. Foi o que levou, no Partido Conservador, à queda de Boris Johnson (foto), atraído para o lado do Brexit pelo amigo Michael Gove, depois traído por ele. Agora, quem suceder o premiê David Cameron – Gove ou a discreta Theresa May – estará diante de uma promessa impossível de cumprir: manter, ao mesmo tempo, acesso ao mercado europeu e controle total sobre a imigração. O Brexit é tão complicado quanto um divórcio. Ou, na feliz comparação da Economist, é como aquela marca de ketchup. Vem em 57 variedades, dependendo da relação que restar entre o Reino Unido e a União Europeia. Na variedade norueguesa, a preferida de Boris, permanece o acesso mercado comum, mas as fronteiras ficam abertas a europeus. Gove não quer ceder na imigração. Theresa, a favorita, diz que não há volta no Brexit, mas também não há pressa. Promete ser um divórcio daqueles.

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

03 Julho 2016 | 12h11

Hillary larga na frente

Estão em 73% e 80% as chances de Hillary Clinton derrotar Donald Trump nas eleições de novembro, nos dois modelos elaborados pelo estatístico-celebridade Nate Silver, aquele que acertou quase na mosca a vitória de Barack Obama em 2008. Nos mercados de apostas, as chances de Hillary ficam entre 73% e 75%.

Novos Estados-pêndulo

A novidade nos modelos de Silver é o redesenho do mapa eleitoral. Virgínia, Pensilvânia, Nevada, New Hampshire e mesmo Flórida e Iowa são vistos como seguros para os democratas. Dos Estados-pêndulo, onde pode vencer um ou outro, Hillary leva vantagem em Colorado e Ohio. Também tem chance em bastiões republicanos como Arizona, Geórgia, Missouri, Mississippi e nas duas Carolinas.

Liga pra ela

Dúvida se Hillary vencer: haverá telefonema ou discurso de Trump reconhecendo a derrota? Até agora, ela espera a ligação de Bernie Sanders, o perdedor nas prévias. Hillary poderá, nas palavras do jornalista Nate Cohn, entrar para a história como a “primeira candidata a vencer a indicação do partido e a presidência sem o reconhecimento adequado dos adversários”.

O impagável Jack Aiello

Depois de estourar na internet imitando os candidatos e Obama em seu discurso de formatura de ginásio – se não viu, corra ao YouTube –, o menino Jack Aiello foi ao programa do comediante Jimmy Fallon. Descreveu os maneirismos de cada um, maquiou-se de laranja para encarnar “Little Donald” ao lado de Fallon e, além de Trump, imitou Hillary e Sanders ao telefone.

Dubya < The Donald

Paralisia política em Washington, incerteza na política internacional e incógnitas na economia são consequências prováveis da eleição de Trump. Além, claro, do previsível debate sobre o pior presidente americano. Para o biógrafo Jean Edward Smith, a batalha será dura. “Raramente na história dos EUA a nação foi tão mal servida quanto na presidência de George W. Bush”, diz ele na recém-lançada biografia Bush.

Democracia em crise

O livro Democracy for Realists, de Christopher Achen e Larry Bartels, tenta explicar um paradoxo da democracia: por que eleições nem sempre produzem governos responsáveis. “A maioria dos cidadãos presta pouca atenção à política”, escrevem. Votam não necessariamente de modo racional, mas segundo lealdades grupais ou a situação econômica. Para eles, é preciso ser menos romântico a respeito do que a democracia pode alcançar.

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