Tom Brenner/The New York Times
Tom Brenner/The New York Times
Imagem Helio Gurovitz
Colunista
Helio Gurovitz
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Tarifas impostas por Trump favorecem a China

Com as novas tarifas, destinadas a endurecer a renegociação do Nafta, o presidente americano destrói qualquer possibilidade de frente comum com os aliados para enfrentar os chineses

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

03 Junho 2018 | 03h00

A maior ironia das tarifas impostas pelo governo Donald Trump ao aço e alumínio importados de Canadá, México e União Europeia é favorecer o principal rival americano no comércio internacional: a China.

+ Artigo: Donald Trump e a arte da enrolação

+ Lourival Sant'Anna: Trump, Kim e Xi 

A alta nos preços internacionais do aço provocada pelo protecionismo americano já contribuiu para que a venda de aço chinês (mais barato) crescesse quase 4,8% em abril, em comparação com o mesmo mês no ano anterior. No mesmo período, a venda de alumínio chinês subiu 4,9%.

+ Análise: Um presidente imprevisível para uma política incerta 

+ Trump pede que China mantenha forte controle na fronteira com Coreia do Norte

Com as novas tarifas, destinadas a endurecer a renegociação do Nafta, Trump destrói qualquer possibilidade de frente comum com os aliados para enfrentar os chineses. Os três mercados atingidos respondem por 12% das produção global de aço; a China, por mais de 50%. O aço chinês já sofre restrições no mercado americano; no restante do mundo, continua soberano.

Buraco de € 125 bilhões no orçamento italiano

Passa de € 125 bilhões, ou mais de 7% do PIB, o custo total das medidas propostas no contrato firmado entre Liga e Movimento 5 Estrelas para o programa do novo governo italiano, liderado por Giuseppe Conte. As novas receitas obtidas pelo corte de gastos com políticos são estimadas em no máximo € 500 milhões, ante despesas e renúncias tributárias que poderão chegar a € 126 milhões, de acordo com a análise do Observatório de Contas Públicas Italianas, exibida no quadro abaixo.

O sionismo conveniente de Roman Abramovich

O oligarca russo Roman Abramovich, dono do clube de futebol inglês Chelsea e de uma fortuna de US$ 11 bilhões, pousou em Tel-Aviv a bordo de seu próprio Boeing 767 para, como judeu, se tornar cidadão israelense. Abramovich diz que a imigração foi por motivo religioso e afinidade ideológica. Investe no país e já está de olho num time de futebol de Petach Tikva. Mas a vida em Londres não está fácil para oligarcas. Pelo elo com Vladimir Putin, os britânicos lhe recusaram um novo visto.

O ataque infeliz de Elon Musk à imprensa

Elon Musk, dono da Tesla e da SpaceX, demonstrou que Mark Zuckerberg não é o único expoente do Vale do Silício a não entender a imprensa. Insinuou que reportagens denunciando suas práticas trabalhistas eram motivadas pelo interesse de anunciantes como Exxon e Ford. Quando algum bilionário diz acreditar que a “inteligência coletiva” das redes suprirá o mundo de informação, só quer manter seus bilhões a salvo da tenacidade investigativa dos repórteres. “Trabalhe algum tempo numa redação”, sugeriu o estatístico Nate Silver.

O marketing da escolha de Sophia

Sophia, o “robô social” criado por David Hanson, foi o primeiro equipamento eletrônico a adquirir direitos de cidadania, na Arábia Saudita, em 2017, numa tentativa de chamar a atenção para a causa feminina. A decisão despertou o furor de 150 médicos, juristas, especialistas em ética e inteligência artificial. Em carta à Comissão Europeia, consideram a mera sugestão de “pessoas eletrônicas” algo “inadequado, ideológico, sem sentido”. A interação com Sophia é bastante limitada e, por enquanto, não passa de uma jogada de marketing.

Os filmes de guerra preferidos do historiador

O historiador militar britânico Anthony Beevor, autor de clássicos sobre a 2ª Guerra, critica a forma fantasiosa como o cinema contemporâneo retrata os conflitos. Seus filmes de guerra favoritos são os franceses 317.ª seção – Batalhão de Assalto, de Pierre Schoendoerffer (1965), e A Batalha de Argel, de Gillo Pontecorvo (1966). Ele desdenha de O Resgate do Soldado Ryan, de Steven Spielberg (1998), Círculo de Fogo, de Jean-Jacques Annaud (2001), Dunkirk, de Christopher Nolan (2017) e O Destino de uma Nação (2017), de Joe Wright, que compara a uma visita ao dentista. “Falta honestidade intelectual à maioria dos imitadores recentes”, escreve no Guardian. “As necessidades da história e da indústria do cinema são essencialmente incompatíveis.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.