Taro Aso, premiê eleito do Japão, tem forte vínculo com Brasil

Defensor do fortalecimento das relações bilaterais, ele é visto como aliado dos 320 mil dekasseguis no Japão

Cláudia Trevisan, correspondente em Pequim, com agências internacionais,

22 de setembro de 2008 | 19h52

O ex-ministro das Relações Exteriores do Japão Taro Aso, de 68 anos, foi eleito nesta segunda-feira, 22, presidente do Partido Liberal Democrático (PLD), com 66,6% dos votos dos delegados, em substituição ao ex-primeiro-ministro Yasuo Fukuda, que renunciou três semanas atrás.   Veja também: Galeria de fotos da eleição de Aso  Aso deve ser novo premiê japonês   Nesta terça, ele deve ser confirmado no cargo de primeiro-ministro pela Câmara Baixa do Parlamento, a Dieta (equivalente à Câmara dos Deputados), onde seu partido tem maioria. Aso venceu as eleições internas com facilidade e deixou para trás outros quatro candidatos - entre eles, a primeira mulher a concorrer ao cargo no país, a ex-ministra da Defesa Yuriko Koike.   É uma boa notícia para o Brasil e a comunidade de imigrantes brasileiros que vive no país asiático. Aso morou por um ano em São Paulo nos anos 60, como dirigente da empresa de cimento de seu avô paterno. É um ativo defensor do fortalecimento das relações entre os dois países, além de ser visto como um aliado dos 320 mil dekasseguis no Japão.   A previsível eleição de Taro Aso como primeiro-ministro do Japão é uma boa notícia para o Brasil e a comunidade de imigrantes brasileiros que vive no país asiático. Aso morou por um ano em São Paulo nos anos 60 e é um ativo defensor do fortalecimento das relações entre os dois países, além de ser visto como um aliado dos 320 mil dekasseguis no Japão.   Como deputado, Aso dirige o Grupo Parlamentar Brasil-Japão e é presidente honorário do Comitê Executivo do Ano de Intercâmbio Japão-Brasil, celebrado em 2008 para marcar o centenário da imigração japonesa para o Brasil. Aso esteve no Brasil em 2007, quando era ministro das Relações Exteriores, para participar do lançamento das comemorações do centenário.   Depois de relativa estagnação nos anos 80 e 90, o relacionamento entre os dois países voltou a se intensificar nesta década, principalmente depois da escolha do sistema japonês para a TV digital no Brasil.   Trem Rio-SP   Os japoneses também têm interesse em disputar a licitação para o trem de alta velocidade que deve ligar São Paulo e Rio de Janeiro, prevista para o próximo ano. Aso discutiu o assunto em abril com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que esteve em Tóquio como representante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas comemorações do centenário da imigração japonesa.   O Brasil quer não apenas comprar os trens, mas busca conseguir um acordo que preveja a transferência de tecnologia. Outra área que aproxima os dois países é a produção de etanol, que pode reduzir a dependência dos japoneses do petróleo.   Crise do governo   O governo enfrenta baixos índices de aprovação, pouco abaixo dos 40%, e o PLD, de Aso, atravessa seu pior momento em 50 anos. O novo primeiro-ministro será o terceiro premiê a ocupar o cargo em um ano. Em setembro do ano passado, Shinzo Abe, que tinha apoio de menos da metade dos japoneses, entregou seu posto. Em seguida, Yasuo Fukuda, sucessor de Abe, anunciou sua renúncia em 1º de setembro - depois ter vencido o próprio Aso nas eleições anteriores para a presidência do partido.   Nenhum deles foi eleito diretamente pelos japoneses. Desde 2006, os primeiros-ministros têm sido indicados pela Dieta, sem a aprovação do voto popular. "Minha tarefa é responder às preocupações do povo japonês e não há outro partido, além do PLD, que possa fazê-lo", disse Aso. "Por enquanto não cumpri minha missão; eu o farei quando vencermos a oposição do Partido Democrático."   Para reverter o ceticismo e a desaprovação dos japoneses, o novo primeiro-ministro poderá dissolver o Parlamento rapidamente e convocar novas eleições, em todo o país, antes que seu índice de aprovação dê sinais de baixa.   Como resposta aos efeitos da crise econômica americana, Aso promete cortar impostos e aumentar os gastos públicos, especialmente em projetos nas áreas rurais, reduto histórico do PLD. "Os Estados Unidos podem enfrentar uma crise financeira equivalente à da grande depressão", disse Aso, no sábado. "O Japão tem de tomar medidas para melhorar sua economia e para reativar a demanda doméstica."   O porta-voz do Departamento de Estado americano, Robert Wood, antecipou-se em apoiar a nomeação de Aso para primeiro-ministro. "O Japão e os EUA mantêm uma relação estreita e esperamos trabalhar no futuro com o próximo primeiro-ministro", declarou o funcionário de Washington.

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