Tarso nega que árabe preso em SP integre Al-Qaeda

Cidadão foi detido por ter difundido mensagens racistas pela internet

Leonencio Nossa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2009 | 00h00

O ministro da Justiça, Tarso Genro, desmentiu ontem a notícia publicada na Folha de S.Paulo, na coluna de Janio de Freitas, de que o estrangeiro preso pela Polícia Federal em São Paulo, em 26 de abril, por cometer crimes de racismo na internet, integre a organização terrorista Al-Qaeda. Tarso disse que a PF não abriu inquérito para apurar indícios da presença de terroristas no País. "Nós não estamos trabalhando com essa perspectiva", afirmou. "A legislação brasileira é bastante confortável para combater qualquer tipo de delito e a Polícia Federal não tem nenhum inquérito sobre célula terrorista ou da Al-Qaeda."O ministro evitou até mesmo divulgar a nacionalidade do estrangeiro suspeito de atuar como membro de uma célula da Al-Qaeda, que, segundo o Ministério Público Federal, já foi posto em liberdade. "O que posso informar é que se trata de um cidadão estrangeiro que estava cometendo crimes pela internet, crimes previstos na legislação brasileira.""No Brasil não há nenhuma célula terrorista de nenhum tipo de organização, até porque temos um controle muito forte sobre isso em todas as regiões em que possa haver suspeita", afirmou. "Se esse cidadão tem ou não relações políticas e ideológicas com países ou correntes de opinião no mundo, isso para nós não é uma questão institucional ou legal. Ele foi preso por que supostamente estava cometendo delitos, entre eles o de racismo, pela internet. Essa foi a motivação do inquérito e a motivação da prisão."O ministro disse que não foi procurado pelo governo americano para esclarecimentos sobre a prisão do estrangeiro. "Não procurou e creio que não procurará, porque se trata de um delito comum aqui na legislação brasileira", afirmou. O Ministério Público Federal em São Paulo informou também ontem que a Polícia Federal deteve preventivamente o cidadão de origem árabe, a pedido do FBI (a polícia federal dos EUA), mas não conseguiu comprovar que ele estivesse envolvido com algum grupo terrorista. Por meio de uma nota oficial, assinada pela procuradora Ana Letícia Absy, o órgão afirma que o suspeito - que vive em situação regular no País e tem comércio e residência fixa em São Paulo - foi libertado 21 dias após a prisão. "A Polícia Federal recebeu informações do FBI sobre a existência de um fórum fechado da internet, publicado em língua árabe, com mensagens discriminatórias e antiamericanas. A PF tinha a informação de que parte do conteúdo era postado a partir do Brasil", informa o comunicado."Após a quebra de sigilo telemático, foi confirmado que um cidadão de origem árabe, residente no Brasil, era o moderador do fórum e poderia estar ligado a algum grupo terrorista. Uma vez quebrado o endereço IP (identificação eletrônica do computador) do investigado, foi autorizada a quebra de sigilo telemático, para interceptação das mensagens. Mas a PF não apresentou até o momento nenhum laudo que comprove a existência de conteúdo criptografado no computador do investigado e não foi comprovado que o homem preso em São Paulo, seja membro de alguma organização terrorista", acrescentou.Em Salvador, onde passou o dia em reuniões com seu colega venezuelano, Hugo Chávez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não conseguiu esconder a irritação quando indagado sobre a prisão de um suposto integrante da Al-Qaeda no Brasil. "A informação que eu tenho, do ministro Tarso Genro, é que o cidadão foi preso, que a Polícia Federal está investigando sob sigilo de Justiça e, portanto, ainda não tem nenhuma conclusão para acusar essa pessoa", afirmou."Parece que a denúncia não partiu do Brasil e acho desrespeitoso alguém de fora dar palpites sobre um cidadão, independentemente de sua origem, que foi preso e está sendo processado. Essa não é uma boa política e o Brasil não tem o hábito de dar palpites sobre as coisas que acontecem no mundo", declarou, ao lado de Chávez - aparentemente referindo-se ao fato de uma fonte anônima dos EUA ter revelado à imprensa a informação sobre a prisão. COLABOROU TIAGO DÉCIMO

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