REUTERS/Staff
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Táxi invade a calçada no centro de Moscou e deixa feridos

Veículo subiu em calçada e atingiu pedestres que passavam pela via; autoridades dizem que motorista perdeu o controle do carro

Jamil Chade e Glauco de Pierri, enviados especiais / Moscou, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2018 | 13h26
Atualizado 16 de junho de 2018 | 20h09

*Notícia atualizada às 19h59

Um táxi atropelou neste sábado torcedores mexicanos e russos no centro de Moscou, reacendendo os temores de um atentado terrorista durante a Copa do Mundo. Oito pessoas ficaram feridas, ainda que nenhuma delas corra risco de vida. As autoridades insistem que o caso não passou de um acidente de trânsito, em que o motorista teria “adormecido” ao volante. 

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"Um taxista entrou na calçada e atropelou os pedestres. De acordo com dados preliminares, oito pessoas foram socorridas pelos serviços médicos", informou o Ministério do Interior da Rússia em comunicado. Segundo a pasta, informações iniciais indicam que o motorista perdeu o controle do veículo antes do acidente. "O condutor foi detido e encaminhado à delegacia", informa o governo russo.

Três horas depois, num outro comunicado, as autoridades indicaram que o motorista não estava alcoolizado e que havia supostamente confessado que dormiu na direção. Seu pé teria, involuntariamente, acelerado o carro sobre as pessoas. Ele ainda teria dito às autoridades que trabalhou toda a noite e que tentou fugir por medo. 

Um vídeo mostra como o taxista, numa rua parada pelo trânsito, desviou de uma fila de carros, subiu numa calçada e atropelou pessoas que passavam por ali. O carro apenas parou ao se chocar contra um poste.

 

Segundo testemunhas, o taxista tentou fugir do local, mas foi preso pouco tempo depois. "Ele saiu do carro e tentou correr, mas foi detido pelas pessoas na rua. Ele gritava: 'não foi minha culpa'", informou um pedestre à agência de notícias Reuters. O motorista tinha a carteira de habilitação do Quirguistão, país localizado na Ásia central e ex-integrante da União Soviética. Ainda que sua habilitação estivesse válida até 2022, ele não estava credenciado para trabalhar na Copa do Mundo. 

Em depoimento, ele teria afirmado que não tinha a intenção de atingir os pedestres. De acordo com as autoridades, o nome do taxista é Chingiz Anarbek Uulu, de 28 anos. Em suas redes sociais, o último vídeo postado se refere a um capítulo do Corão. Mas nenhuma referência era feita a qualquer tipo de relação com grupos islamistas. 

O acidente ocorreu na rua Ilinka, a duzentos metros da Praça Vermelha, um dos principais pontos turísticos da capital russa. A via foi interditada por duas horas. Mas perto das 22h, ela já havia sido liberada e uma multidão circulava pela região. 

Desde o início da Copa do Mundo, a Rússia adota medidas rígidas de segurança nas cidades-sede. Em Moscou, foram instalados bloqueios de concreto ao redor das áreas de acesso de torcedores como forma de prevenção a ataques terroristas conduzidos por veículos em alta velocidade. Nas estações de metro e hotéis, detectores de metais são constantemente usados.  

Ao Estado, fontes diplomáticas confirmaram que o risco de um atentado durante a Copa do Mundo é elevado, diante da participação russa na guerra contra o Estado Islâmico. O grupo extremista chegou a publicar vídeos em que alerta para um eventual atentado. Nesta sexta-feira, o Departamento de Estado dos Estados Unidos alertou que grupos terroristas, incluindo o Estado Islâmico, planejavam ataques contra a Rússia durante o mundial. Entre os possíveis alvos estão locais de turismo, rede de transporte, shoppings e estabelecimentos do governo. 

Uma testemunha que estava no local do incidente neste sábado, em Moscou, contou ao Estado que pessoas de todos os países perseguiram à pé o taxista. O incidente ocorreu nas proximidades da Casa Mexicana, uma espécie de centro cultural do país latino-americano. Neste domingo, a capital russa recebe a partida entre o México e a Alemanha, no estádio Luzhnki. 

Raul, um mexicano que estava no local, relatou o que viu. “Estávamos na Casa Mexicana e, de repente, queríamos sair e nos disseram que não poderíamos por conta de um acidente”, disse. “Vimos pessoas jogadas no chão. Eram mexicanos, russos e de muitos países”, afirmou. 

Segundo o mexicano, que preferiu não dar seu sobrenome, o motorista tentou escapar. “As pessoas foram as primeiras que começaram a golpear o rapaz. O tiraram do carro. Foram pessoas de todos os países, que viram o que ele fez”. Para ele, “não há dúvidas” de que se tratou de um “atentado terrorista”. “É lamentável, porque estamos em um ambiente de futebol, de harmonia. Que pena que exista gente psicopata com vontade de atacar as pessoas”, disse.

SILÊNCIO

As autoridades russas, porém, mantiveram outra versão. Pelas redes sociais, o prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, reforçou a tese do acidente. “Houve um incidente desagradável com um táxi. O motorista perdeu controle”, escreveu. 

Nos últimos dias, a polícia foi instruída a não publicar notícias negativas sobre inquéritos criminais ou operações policiais. O blackout de informação vale durante toda a Copa do Mundo. 

Das oito pessoas feridas, cinco foram levadas ao hospital. Mas não correm perigo de vida. Apenas uma das mulheres feridas teria sofrido lesões mais importantes. A Embaixada do México em Moscou confirmou que dois dos feridos eram torcedoras mexicanas. Mas indicam que apenas tiveram “lesões leves e que seu estado de saúde é estável e fora de perigo”. 

Uma investigação criminal foi aberta, mas apenas sobre violações ao código de trânsito. 

No início da madrugada, os serviços de saúde apenas indicaram que “ambulâncias chegaram à cena do caso sete minutos depois do acidente”. “Por enquanto, oito pessoas foram identificadas como feridas. Sete delas estão em condições satisfatórias, enquanto uma mulher está em uma condição moderada”, declarou o serviço de saúde de Moscou.

 

 

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