Taxistas mexicanos fazem ''tour da droga''

Visita guiada mostra refúgios de traficantes no país

Marc Lacey, NYT, MAZATLÁN, MÉXICO, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2009 | 00h00

O tom de voz do guia do tour tornou-se quase um sussurro enquanto ele apontava para o lado esquerdo do táxi: "Está vendo aquela casa? É de Chapo", disse ele referindo-se a uma propriedade de frente para o mar em Mazatlán.Segundo o guia, o local é um dos esconderijos de Joaquín Guzmán - mais conhecido como El Chapo, o Baixinho -, um dos traficantes mais procurados do México (leia reportagem nesta página).Embora a cidade seja vista como um paraíso situado à beira do oceano, o balneário tem um lado obscuro, que é explorado por muitos taxistas como destino de "narcotours" não autorizados.Apesar do alto nível de violência vinculada aos cartéis da droga, muitos têm fascinação pela vida incomum dos criminosos, chegando a pagar para conhecer as casas de veraneio e pontos de encontro preferidos dos traficantes.Mazatlán não é o único destino dessas visitas guiadas. Em Culiacán, a capital do Estado de Sinaloa e centro do comércio da droga, um lugar muito visitado é o santuário dedicado a Jesus Malverde, o famoso bandido bigodudo, enforcado em 1909 e hoje considerado o santo padroeiro do submundo."As autoridades do turismo não querem que se promova a narcocultura", afirmou Silvestre Flores, um estudioso que escreveu sobre os narcotours de Mazatlán. "Elas a consideram deletéria para a imagem do lugar."Flores acha que os tours clandestinos não são muito diferentes das visitas guiadas ao marco zero de Nova York, ou aos lugares favoritos de Al Capone em Chicago. Segundo ele, as pessoas ficam fascinadas com crimes e mortes.No entanto, nenhum turista pretende ser vítima da violência, enfatizou o Departamento de Estado, renovando seu alerta aos visitantes no México, e chamando a sua atenção para os riscos de serem apanhados no meio da guerra da droga.

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