Taylor aguarda remoção para Haia em cela confortável

O ex-ditador da Libéria, Charles Taylor, está sendo rigidamente vigiado enquanto aguarda seu julgamento por crimes de guerra pelo Tribunal Especial das Nações Unidas.O promotor Desmond de Silva disse que preocupações com a segurança durante o julgamento motivaram às autoridades a pedirem a transferência de Charles Taylor de Serra Leoa para a Europa, onde Taylor permaneceria sob a responsabilidade da Corte Especial para Serra Leoa, cujo objetivo é julgar os responsáveis pelas atrocidades cometidas durante a guerra civil que ocorreu no país entre 1991 e 2002."Charles Taylor tem sido o senhor da guerra e o epicentro da instabilidade da região", disse Silva, após o presidente da Libéria, Ellen Johnson, ter expressado preocupação de que apoiadores de Taylor poderiam usar o julgamento como um pretexto para iniciarem uma série de rebeliões no país.Remoção para a HolandaA Inglaterra disse que o Conselho de Segurança das Nações Unidas irá colocar em circulação hoje um relatório sobre a remoção de Charles Taylor de Serra Leoa para a Holanda, por motivos de segurança.O texto ainda não foi divulgado, e está sendo escrito por diplomatas holandeses a pedido de oficiais a Corte Especial para Serra Leoa. Diplomatas disseram que o relatório será enviado também aos outros 14 membros do Conselho de Segurança e que provavelmente as ações serão feitas na próxima semana. Silva disse que espera que Taylor seja transferido para Holanda na segunda ou na terça-feira.O presidente dos EUA George W. Bush apoiou que o julgamento de Taylor seja feito em Haia, pois lá estão também a Corte Internacional Criminal, o primeiro tribunal permanente de crimes de guerra, o tribunal de crimes de guerra da Iugoslávia, e a Corte de Justiça Internacional.JulgamentoNo julgamento, serão lidas as acusações contra ele - 11 crimes contra a humanidade e crimes de guerra, e será indicado que ele se declare culpado."Se ele se declarar culpado, o julgamento será rápido", disse silva, "do contrário, o julgamento pode levar meses", explicou. O governo holandês está negociando com vários países para encontrar uma prisão caso Taylor seja julgado culpado. Não está claro quais países são candidatos. O tribunal da Iugoslávia tem acordo com a Inglaterra, Alemanha, Espanha, França, Suíça, Áustria, Noruega, Finlândia e Itália para que aceitem presos.Taylor fugiu para a Nigéria em 2003 como parte de um acordo para acabar com a guerra na Libéria. Na semana passada, a Nigéria, sob pressão dos EUA e outros, disse que entregaria Taylor para a corte das Nações Unidas, porém não tomou iniciativas para prendê-lo e ele fugiu.A policia nigeriana o capturou, na última quarta-feira, tentando fugir para os Camarões. Ele carregava um saco com 50 quilos de notas de dólares e euros.AcusaçõesTaylor foi acusado em 1983 de desviar um milhão de dólares da Libéria, e se exilou nos Estados Unidos, onde foi detido. Preso em Massachusetts, fugiu em 1985 e organizou a guerra civil na Libéria.O líder liberiano é acusado de apoiar guerrilheiros rebeldes no oeste da África e abrigar militantes da Al-Qaeda, que atacaram as embaixadas dos Estados Unidos no Quênia e na Tanzânia, em 1998. Além disso, foi indiciado por aterrorizar civis, promover violência sexual contra mulheres e meninas, uso de crianças como soldados, escravidão de civis, destruição de vilarejos, ataques a soldados da ONU, e inúmeros atos de violência física contra civis, incluindo a amputação de membros.Em Freetown, Maxwell Fornah, 22 anos, disse que se considera uma das vítimas de Taylor. No final da guerra, rebeldes atacaram sua escola e ele foi baleado na perna, que teve de ser amputada.O promotor Silva afirmou que seria muito difícil para qualquer um que quisesse ferir Taylor chegar até ele, e garantiu que ele está em segurança, em uma cela confortável, onde pode até assistir a televisão a cabo e recebe uma ótima alimentação. Taylor e outros detentos podem receber visitas. Sua esposa, Jewel Howard-Taylor, disse que ele a telefonou e que estava "OK e pareceu forte".

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