Taylor chega à Nigéria prometendo voltar

Acenando um lenço branco, Charles Taylor deixou nesta segunda-feira a Libéria para o exílio na Nigéria, após renunciar ao cargo de presidente sob pressão internacional e assediado por rebeldes que capturaram a maior parte do país. Amigos, parentes e mesmo alguns soldados foram ao aeroporto internacional John F. Kennedy, em Monróvia, para despedir-se de Taylor e do familiares, que embarcaram no avião presidencial nigeriano com destino a Abuja.Logo após a partida, três navios anfíbios dos Estados Unidos se aproximaram da costa. Liberianos correram para as praias, com a esperança de que os 2.500 fuzileiros navais desembarcassem para ajudar a encerrar cerca de 14 anos de guerra civil no país, fundado no século 19 por ex-escravos norte-americanos. Mas não houve desembarque e logo os navios se afastaram. O presidente George W. Bush havia prometido enviar soldados somente depois da saída de Taylor do país. Os rebeldes celebraram a partida de Taylor - acusado de crimes de guerra na vizinha Serra Leoa pela ONU - e disseram que sua guerra havia terminado. Os dois principais grupos rebeldes intensificaram em junho a campanha de três anos para depor Taylor, provocando o caos e a morte de mais de mil pessoas na capital Monróvia. "Para nós, do Lurd (Liberianos Unidos pela Reconciliação e Democracia), a guerra acabou", disse Sekou Fofana, um dos líderes do principal grupo rebelde do país. Pressionado pelos EUA e líderes oeste-africanos, Taylor anunciou a tão esperada renúncia em uma cerimônia na qual ele passou o poder ao vice-presidente, Moses Blah. "A história será justa comigo. Cumpri todas as minhas obrigações. Aceitei o papel de cordeiro do sacrifício", disse Taylor no discurso. "Se Deus quiser, voltarei".Logo após a renúncia de Taylor, Blah prestou juramento como presidente em uma cerimônia que teve a presença dos presidentes de Gana e da África do Sul e representantes da União Africana e da Comunidade Econômica de Estados Oeste-Africanos (Ecowas). O novo presidente pediu aos grupos rebeldes que trabalhem pela reconstrução do país e solicitou o envio total da força de pacificação oeste-africana, que deverá chegar a 3.250 homens. Atualmente há 770 soldados nigerianos da força de paz em Monróvia. Blah permanecerá no cargo até 14 de outubro, data prevista para as eleições nacionais.

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