Taylor diz que não cometeu crimes de guerra

Em sua primeira aparição diante do Tribunal Internacional que julgará as responsabilidades por crimes de guerra cometidos na Libéria, Serra Leoa e Costa do Marfim, o ex-presidente liberiano Charles Taylor negou todas as acusações que pesam contra ele. O líder africano será julgado por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, incluindo escravidão sexual, mutilação e utilização de crianças em combates armados. No início da sessão, o ex-presidente argumentou que não reconheceria o direito da corte em julgá-lo. Ainda assim, fez questão de negar todas as acusações. "Eu não cometi e não teria como ter cometido" as atrocidades supostamente levadas a cabo durante a guerra civil de Serra Leoa, disse Taylor ao juiz Richard Lusssick. O líder liberiano, que vestia um terno escuro, fez seu discurso em tom calmo e vagaroso. São muitas as expectativas em torno do julgamento. Primeiro ex-presidente africano a enfrentar esse tipo de acusação, Taylor poderá servir de exemplo para que outros déspotas do continente sejam levados a tribunais internacionais. O líder liberiano foi muito temido na região por fomentar a violência em sua terra natal, em Serra Leoa, na Costa do Marfim e em outros países da região. A segurança foi reforçada em torno da Corte Especial de Serra Leoa, país para o qual Taylor é acusado de ter exportado sua própria Guerra Civil. O líder liberiano e outros funcionários que receberam ameaças de morte serão transportados em carros blindados e escoltados por dezenas de soldados das forças de paz da ONU. Antes do início da sessão desta segunda-feira, um carro todo preto, que provavelmente levava Taylor, foi conduzido da área de detenção até o complexo em que está localizada a corte. Tropas da ONU mantinham guarda e um veículo blindado bloqueou o acesso à estrada. O julgamento Com 11 acusações por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, o ex-presidente liberiano será julgado por um tribunal internacional estabelecido para apurar as responsabilidades pelas atrocidades cometidas durante a guerra civil em Serra Leoa (1991-2001). Um advogado liberiano disse que a estratégia de defesa será argumentar que a corte de Serra Leoa não tem jurisdição sobre a Libéria ou seu chefe de Estado, e por isso não tem o direito de julgar Taylor, que era presidente quando foi indiciado, em 2003. A corte de apelação, no entanto, rejeitou um argumento semelhante logo após o arquivamento do indiciamento. Embora essa seja a primeira aparição de Taylor em Serra Leoa, funcionários do tribunal no país já pediram a transferência do julgamento para uma corte internacional me Haia, na Holanda. Para a presidente liberiana, Ellen Johnson Sirleaf, a presença de Taylor na região pode esquentar os ânimos de uma nova insurgência no país. Entenda o caso Taylor venceu as eleições liberianas de 1997. Muitos de seus ex-aliados na insurgência que ele lançou em 1989 pegaram em armas contra ele em 2000, e atacaram a capital Monróvia em 2003, criando um clima de violência e instabilidade no país. O presidente nigeriano Olusegun Obasanjo ajudou no apaziguamento do país ao oferecer exílio para Taylor. O ex-presidente, que aceitou a proposta, viajou para a Nigéria em agosto de 2003, cinco meses depois de seu indiciamento pela Corte Especial. Sob pressão dos EUA e outros países, a Nigéria informou na semana passada que iria entregar Taylor, mas não demonstrou esforços para prendê-lo. Taylor, que conseguiu escapar, foi preso um dia depois de sua fuga pela polícia nigeriana. Ele foi encontrado na quarta-feira, pronto para atravessar a fronteira camaronense. Segundo o mentor espiritual do líder liberiano, Taylor teria sido encorajado a fugir pelas forças de segurança da Nigéria. O governo do país negou a alegação.

Agencia Estado,

03 Abril 2006 | 14h09

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