Mauro Pimental/AFP
Mauro Pimental/AFP

Técnico da Venezuela se demite após visita de representante de Guaidó

Treinador Rafael Dudamel se irritou com o 'uso político de visita' em triunfo histórico diante da Argentina, e colocou cargo à disposição da Federação da Venezuela

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2019 | 22h07

Após uma das maiores vitórias da história do futebol da da Venezuela, 3 a 1 na Argentina, com Lionel Messi em campo, o treinador venezuelano se demitiu nesta sexta-feira, 22. Culpa da política. Rafael Dudamel tomou a decisão após a visita de um representante na Espanha de Juan Guiadó, autoproclamado presidente interino do país e líder da oposição ao presidente Nicolás Maduro. Ele afirmou que a seleção venezuelana está sendo “utilizada para fins políticos” em meio à crise do país

Horas antes da disputa da partida, o elenco recebeu a visita de Antonio Ecarri, representante na Espanha de Juan Guaidó. Depois, Ecarri publicou nas redes sociais uma foto do encontro. “Conversei com o vice-presidente (da federação) e coloquei o meu cargo à disposição dos dirigentes porque todo este tempo estamos navegando em águas muito turvas. Tudo foi politizado e sou o técnico de uma seleção do país inteiro”, disse.

Dudamel anunciou que comandará a equipe no amistoso da segunda-feira, contra a seleção da Catalunha, “por respeito”. Na semana passada, durante um jogo da seleção venezuelana em Rancagua, no Chile, o embaixador da Venezuela no país, ligado ao presidente Nicolás Maduro, também visitou a equipe. “Recebemos com respeito o embaixador do senhor Nicolás Maduro. Mas a visita foi utilizada politicamente, tristemente”, disse.

O atacante Salomón Rondón defendeu o treinador. “É injusto e insignificante que se politize a seleção. Nós tentamos levar alegria ao povo da Venezuela”. A seleção venezuelana nunca havia marcado três gols contra os argentinos numa partida. 

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As declarações do treinador também foram repercutidas pelo atacante Salomón Rondón, segundo o qual "é injusto que se politize a seleção". "Nós, jogadores, estamos com o treinador. É injusto e insignificante que se politize a seleção. Nós tentamos levar alegria

ao povo da Venezuela, às comunidades venezuelanas em tantos países para que se distraiam com o que fazemos. Que as pessoas curtam esta vitória merecida", analisou o jogador.

O placar da vitória desta sexta-feira foi histórico porque a Venezuela nunca havia marcado três gols na Argentina em uma mesma partida. Na opinião de Dudamel, o triunfo não foi "uma casualidade", e sim a consequência de todo um processo iniciado em abril de 2016.

"Ganhar da Argentina com o melhor jogador do mundo em campo (Lionel Messi) por 3 a 1 não é casualidade. Se for, não é todos os dias. Mas não acredito nas casualidades nem na sorte, apenas no trabalho e na convicção dos meus jogadores. Ganhar da Argentina de forma tão contundente foi resultado do trabalho", frisou. 

O amistoso marcou o retorno de Lionel Messi à seleção Argentina depois de oito meses. O atacante não era convocado desde a Copa do Mundo de 2018, mas a participação do craque foi ofuscada por uma Venezuela dominante em campo. Para Rondón, o jogo coletivo venezuelano foi o segredo da vitória. “Nós não pensamos em individualidade, mas em coletivo, e isso funcionou hoje. Fomos contundentes e resistimos ao rival. Trabalhamos pensando na Copa América", disse o atacante, autor do primeiro gol da partida./ EFE e AFP

 


 

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