Técnicos da Unesco visitam escavações em Jerusalém

Uma equipe de especialistas da Unesco visitou na quarta-feira, 28, a escavação arqueológica israelense que, segundo os muçulmanos, pode causar danos a um dos locais mais sagrados do Islã em Jerusalém. Israel diz que a escavação, a 50 metros do Monte do Templo, como é conhecido pelos judeus, ou Al Haram Al Sharif para os muçulmanos, não causará danos às mesquitas do Domo da Rocha e de Al-Aqsa, que ficam na praça sob o Muro das Lamentações, local sagrado para os judeus. Os arqueólogos iniciaram no dia 7 o que chamam de "escavação de resgate" para tentar recuperar artefatos antes da construção de uma passarela que dê acesso ao complexo, onde na antiguidade havia dois importantes templos judaicos. A atividade provocou violentos protestos de muçulmanos em Jerusalém Oriental, a parte árabe da cidade, que inclui a Cidade Velha, onde fica o complexo religioso. A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) anunciou na semana passada o envio de uma "missão técnica" para avaliar as obras e tentar "aliviar as tensões". Um porta-voz da agência em Jerusalém disse, sem dar detalhes, que os especialistas visitaram as escavações na quarta-feira. Osnat Goaz, porta-voz da Autoridade Israelense de Antiguidades, disse que o país convidou os quatro integrantes do grupo, entre os quais o diretor do Centro Mundial do Patrimônio da Unesco, para garantir que houvesse "total transparência" na escavação. O primeiro-ministro, Ehud Olmert, também aceitou que o local seja visitado por uma delegação da Turquia, país islâmico, mas laico. A data não foi marcada. Israel diz que o projeto, que pode ser visto pela Internet graças a câmeras instaladas no local, é essencial porque a atual rampa que leva ao complexo estava em más condições de segurança desde que foi danificada por uma tempestade de neve e um terremoto em 2004. Muçulmanos de todo o mundo protestam contra a obra. O Movimento Islâmico de Israel, cujo líder foi judicialmente proibido de se aproximar do local, depois de entrar em choque com a polícia em recentes confrontos, pretendia realizar uma conferência em Jerusalém Oriental para discutir a escavação. Mas a polícia proibiu o evento, alegando estar "convencida de que há uma conexão com o (grupo islâmico palestino) Hamas na organização da conferência", o que o Movimento Islâmico de Israel nega. Israel capturou Jerusalém Oriental (então parte da Jordânia) na guerra de 1967, e posteriormente anexou a área, sem reconhecimento internacional.

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