Técnicos tentam religar usina e evitar catástrofe no Japão

Engenheiros japoneses se empenhavam na sexta-feira (horário local) em religar um cabo de energia à usina nuclear de Fukushima Daiichi, na esperança de reativar bombas de água necessárias para resfriar barras superaquecidas de combustível nuclear, evitando assim uma catastrófica liberação de radiação.

KIYOSHI TAKENAKA E JUNKO FUJITA, REUTERS

17 de março de 2011 | 20h25

Autoridades não souberam prever quando o cabo poderá ser conectado, mas disseram que o trabalho iria parar na manhã de sexta-feira (noite de quinta no Brasil) para que helicópteros e caminhões de bombeiro voltem a jogar água na usina, que fica 240 quilômetros ao norte de Tóquio e foi danificada pelo terremoto da semana passada.

"Os trabalhos preparatórios até agora não progrediram tão rapidamente quanto nós esperávamos", disse um funcionário da empresa Tokyo Electric Power Co (Tepco), operadora da usina, acrescentando que uma frente fria estava prejudicando a tarefa, assim como a necessidade de medir continuamente o nível de radiação no local, para preservar a segurança dos técnicos.

Vários governos expressaram uma crescente preocupação com a situação na usina, que teve explosões depois de ser danificada pelo forte terremoto e pelo subsequente tsunami de sexta-feira passada.

O pior cenário inclui a exposição de milhões de pessoas no Japão ao material radiativo, mas os ventos predominantes devem afastar uma eventual nuvem tóxica para longe da populosa região de Tóquio, fazendo com que o material se dissipe sobre o Pacífico.

O presidente dos EUA, Barack Obama, se disse muito preocupado com a situação e afirmou que não há risco de que a radiação atinja o território norte-americano. Ele ordenou uma completa revisão da situação das usinas nucleares dos EUA.

As autoridades dos EUA têm tido o cuidado de não criticar abertamente o governo do Japão, seu aliado, mas as orientações de Washington a seus cidadãos - evitar ficar ao ar livre num raio de 80 quilômetros em torno da usina - contradizem as determinações do governo japonês, que recomendou restrições num raio máximo de 30 quilômetros.

Yukiya Amano, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), deve chegar na sexta-feira ao Japão, seu país natal, acompanhado de uma equipe internacional de especialistas. Durante a semana, ele se queixou da falta de informações por parte das autoridades japonesas.

Seu assessor Graham Andrew disse que a situação na usina continua grave, embora "razoavelmente estável". "Ela não piorou, o que já é positivo", afirmou ele na quinta-feira.

Mesmo se a Tepco conseguir religar a energia, não está claro se as bombas funcionarão, pois elas podem ter sido danificadas pelo desastre natural ou pelas explosões subsequentes.

PISCINA SECA

O chefe da agência reguladora de energia nuclear dos EUA, Gregory Jaczko, disse que a piscina de resfriamento do combustível nuclear gasto no reator número 4 da usina pode ter secado, e que o tanque de outro reator estava vazando.

Em audiência no Congresso, Jaczko afirmou que os níveis de radiação ao redor da piscina de refrigeração são extremamente elevados, com potencial risco de morte para os trabalhadores envolvidos na operação.

A agência nuclear do Japão disse que não poderia confirmar se a água cobria as varetas de combustível.

Na quinta-feira, helicópteros militares despejaram cerca de 30 toneladas de água no reator 3. Uma equipe de emergência precisou interromper temporariamente o uso de um canhão de água para pulverizar esse mesmo reator, devido ao nível elevado de radiação, segundo a TV NHK. Outro grupo mais tarde voltou a lançar água no local.

As últimas imagens da usina mostram danos severos, com dois dos edifícios transformados em uma pilha retorcida de aço e concreto.

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