REUTERS/Muhammad Hamed
REUTERS/Muhammad Hamed

Tecnologia 3D dá esperanças a vítimas de guerras

Próteses feitas pelo Médicos Sem Fronteiras têm dado nova oportunidade a amputados de Iêmen, Iraque, Síria e Gaza

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2019 | 05h00

Um hospital na Jordânia deu a uma vítima da guerra no Iêmen uma nova esperança para o futuro, graças à tecnologia de impressão 3D. Abdullah Ayed, de 21 anos, perdeu um braço e feriu gravemente o outro quando sua casa foi atingida por uma bomba em 2017.

Ele permaneceu várias semanas em coma em um hospital local. Quando acordou, percebeu que um de seus braços havia sido amputado e o outro havia ficado gravemente afetado.

“Eu desejei morrer, o que seria melhor do que ficar assim”, disse Ayed. “Tinha vergonha de sair com meu braço amputado, especialmente sendo jovem. Eu queria casar, queria um emprego. Mas não perdi a fé em Deus.”

Em agosto de 2018, a entidade internacional Médicos Sem Fronteiras enviou Ayed a Amã, capital da Jordânia, para tratamento e reabilitação.

O programa de cirurgia reconstrutora do MSF foi criado em 2006, com o objetivo de ajudar os pacientes a recuperar sua independência. Ayed foi um dos escolhidos para receber uma prótese feita por uma impressora com tecnologia 3D.

O supervisor do projeto, Samar Ismail, disse que as próteses em 3D são mais rápidas de serem produzidas e muito mais baratas. O preço de um membro feito na impressora 3D é de aproximadamente US$ 30, enquanto o de próteses convencionais começa em US$ 200 e chega a milhares de dólares.

A leveza das peças é também uma grande vantagem, pois permite aos pacientes permanecerem mais tempo com elas, acrescentou Ismail. Até agora, mais de 20 membros foram produzidos para pacientes de Gaza, Iraque, Síria e Iêmen.

Ayed afirma que a prótese mudou sua vida. Apesar da dificuldade inicial, a terapia o ajudou a conseguir amarrar seu tênis ou colocar uma camisa com mais facilidade, disse o jovem iemenita.

Ele está fazendo exercícios motores que lhe permitirão trabalhar em uma lavanderia. Mas seu grande sonho é poder voltar ao Iêmen, casar e constituir uma família. “É tudo o que eu quero, voltar para casa, que as coisas melhorem lá.” / REUTERS

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