Tecnologia faz Israel mudar estratégia de espionagem

Agentes infiltrados dão lugar a informantes locais, mais discretos e dificilmente rastreados por autoridades inimigas

, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2010 | 00h00

Israel continua a ter os espiões mais temidos - e respeitados - do mundo, sobretudo em países árabes. Mas a inteligência israelense mudou de estratégia nas últimas décadas: em vez dos agentes infiltrados, agora aposta-se em informantes locais.

Na Cisjordânia e na Faixa de Gaza são usados palestinos, enquanto no Líbano, libaneses. A maioria trabalha em troca de dinheiro. A ação israelense que matou o xeque Ahmed Yassin, líder do Hamas, em 2004, é creditada a informações fornecida por um espião palestino dentro do grupo islâmico.

Apesar de as informações serem dadas por nacionais, as megaoperações ainda são levadas adiante por agentes israelenses do Mossad. Algumas delas, porém, começaram a enfrentar dificuldades com o avanço tecnológico nos países árabes, que coloca obstáculo nas ações.

Em janeiro, agentes do serviço secreto israelense mataram um líder do Hamas em um hotel de Dubai, mas acabaram identificados. Scott Stewart, da consultoria de risco político Stratfor, explica que "dificuldade para a falsificação de passaportes, com o uso de chips e outros mecanismos modernos, afetou os serviços de inteligência, que são os melhores falsificadores. Por isso, vemos agências como o Mossad tentando clonar passaportes que possuem o mesmo nome e número do original". A técnica, diz Stewart, acabou permitindo que agentes da operação de Dubai tivessem suas fotos estampadas em jornais de todo o mundo.

Apesar do glamour envolvendo o Mossad, os israelenses não são os únicos a espionar na região. Em Damasco, membros do serviço de inteligência sírio circulam pelos lobbies dos principais hotéis e seguem jornalistas pelas ruas da capital síria. Durante a ocupação síria do Líbano, encerrada em 2005, estrangeiros muitas vezes precisavam mostrar os passaportes para agentes sírios no aeroporto de Beirute.

O Hezbollah também montou uma rede de espionagem que atua em países árabes. O Egito prendeu 26 agentes da organização libanesa, aliada do Irã, que operavam no Cairo e na Península do Sinai.

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