AFP
AFP

Tecnologia leva à captura de chinês em estádio

Procurado por crimes econômicos, ele foi encontrado graças a câmaras de reconhecimento facial

O Estado de S.Paulo

16 Abril 2018 | 22h25

PEQUIM - Um chinês de 31 anos procurado pela polícia por “crimes econômicos” foi encontrado por câmeras de reconhecimento facial em meio a uma multidão de 60 mil pessoas. 

O suspeito teve apenas seu sobrenome revelado – Ao. Ele assistia a um show no estádio de Nangchang, capital da Província de Jiangxi. Ele foi identificado quando passou pela entrada do estádio – suas informações estavam numa base de dados nacional e as autoridades receberam um alerta assim que seu rosto foi reconhecido. Depois disso, policiais o encontraram e o escoltaram para fora do local.

“Ele não conseguia entender que a polícia poderia pegá-lo tão rapidamente em meio a uma multidão. Ficou completamente chocado quando o levamos”, disse o policial Li Jin. O procurado contou que comprou ingressos com amigos e foi até o local acompanhado de sua mulher. “Se eu soubesse (que seria pego), não teria ido.”

Sua captura é o exemplo mais recente de como o reconhecimento facial tem crescido na China, cuja população é de cerca de 1,4 bilhão. Segundo o Washington Post, o objetivo das autoridades é rastrear suspeitos e até mesmo prever crimes, além de criar um sistema nacional que teria registros criminais, médicos, reservas de viagens, compras online e até comentários em redes sociais. 

Isso tudo estaria conectado ao cartão de identidade e ao rosto de cada chinês. A ideia é rastrear onde o cidadão está, o que está fazendo, no que acredita, com quem se associa e atribuir uma pontuação de “crédito social” à pessoa.

Muitos criticam o sistema de vigilância, afirmando que há ramificações étnicas em sua operação. Maya Wang, pesquisadora do Observatório dos Direitos Humanos, destaca que a China estaria utilizando a base de dados para atingir minorias étnicas. “Não viola apenas os direitos à privacidade, mas permite que funcionários detenham pessoas arbitrariamente”, disse a pesquisadora. / NYT

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.