Ted Kennedy quer um sucessor já

Senador tenta mudar lei para que democratas tenham mais votos para aprovar reforma do sistema de saúde

Patrícia Campos Mello, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

21 de agosto de 2009 | 00h00

O senador democrata Ted Kennedy, que sofre de câncer no cérebro em estágio terminal, pediu ontem a legisladores que mudem as leis de seu Estado, Massachusetts, para que seu substituto seja escolhido rapidamente. Pela norma atual, o posto ficaria vago até uma eleição especial, que levaria de 145 a 160 dias. Kennedy enviou carta ao governador de Massachusetts, Deval Patrick, pedindo que seja escolhido um substituto durante esse período, para que os democratas não fiquem com um representante a menos todo esse tempo. A maior bandeira da carreira política de Kennedy é a reforma do sistema de saúde - e sabe-se que todos os votos de senadores democratas serão essenciais para conseguir aprovar a reforma que tramita no Congresso. Caso o senador morra antes de a lei ser votada, é provável que ele ainda não tenha um substituto no dia da votação. Os democratas têm 60 votos no Senado e, provavelmente, precisarão de todos eles se os 40 republicanos se unirem contra a reforma da saúde.Até 2004, as leis estaduais determinavam que o governador indicasse um substituto temporário. Mas, naquele ano, o senador democrata John Kerry, que concorria à presidência e à Câmara Estadual, quis evitar que o então governador republicano Mitt Romney escolhesse um substituo republicano. Por isso, a lei foi mudada.Em sua carta ao governador, Kennedy, que é senador há 47 anos, afirmou apoiar a lei de 2004, mas disse: "Eu acho que é vital para este Estado ter duas vozes lutando pelas necessidades de seus cidadãos e dois votos no Senado durante os cinco meses que transcorrem entre a vacância do cargo e a eleição especial." Ele quer que o governador indique um senador interino rapidamente. "É típico de Ted Kennedy pensar no povo de Massachusetts, quando todos nós estamos pensando nele", disse o governador Patrick. Kennedy foi diagnosticado com câncer no cérebro em maio de 2008. Sua mulher, Victoria Reggie Kennedy, apontada como favorita para suceder o marido, afirmou não estar interessada no cargo.

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