Teddy Kollek, ex-prefeito de Jerusalém, morre aos 95

Theodor "Teddy" Kollek, que foi prefeito de Jerusalém por 28 anos e pregou a convivência entre judeus e palestinos na cidade sagrada, morreu nesta terça-feira aos 95 anos. Ele havia se tornado prefeito de Jerusalém Ocidental em 1965, dois anos depois de Israel conquistar a parte leste (árabe) da cidade, na Guerra dos Seis Dias. Foi reeleito cinco vezes, até a derrota eleitoral de 1993 para Ehud Olmert, hoje primeiro-ministro. "Provamos que Jerusalém é uma cidade melhor unida do que dividida", disse o vienense Kollek certa vez numa entrevista. Conhecido como "Teddy" por seus amigos e adversários, Kollek promoveu mais obras de construção e restauro do que qualquer outro governante desde o sultão turco Suleiman, o Magnífico, que no século 16 construiu os muros da Cidade Velha. Antes de se tornar prefeito, Kollek foi durante 12 anos chefe de gabinete do primeiro-ministro David Ben-Gurion, considerado o fundador de Israel. Ele emigrou da Áustria para a Palestina aos 24 anos, para fundar um kibbutz (fazenda comunitária) na Galiléia. Na Segunda Guerra Mundial, ajudou a inteligência dos aliados a contatar judeus clandestinos na parte da Europa ocupada pelo nazismo. Posteriormente, comandou operações secretas nos EUA da Força de Defesa Haganá, principal unidade paramilitar judaica do então território britânico da Palestina. Poucos dias antes do fim da guerra de 67, Kollek ordenou a demolição do muro de pedra que divida Jerusalém, e sempre se empenhou para obter o respeito, quando não a admiração, da população palestina de Jerusalém Oriental. Casou-se em 1937 com Tamar Schwartz, com quem teve os filhos Amos, cineasta, e Osnat.

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