Teerã adia diálogo em resposta a sanções

Ahmadinejad diz que só retomará negociação nuclear depois de agosto e exige que outras potências atômicas, como Israel, entrem no debate

AP, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2010 | 00h00

Reação. Ahmadinejad discursa para jornalistas em Teerã

 

 TEERÃ

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou ontem que "punirá" o Ocidente pelas sanções que lhe foram impostas pelo Conselho de Segurança da ONU, no início do mês. Em retaliação, iranianos afirmam que só voltarão a discutir seu programa nuclear em agosto e agora impõem novas precondições.

Teerã promete que só aceitará o diálogo nuclear caso outros países entrem na agenda, numa clara referência a Israel. Segundo ele, é preciso que as "grandes potências se posicionem" sobre o "programa nuclear do regime sionista". Ahmadinejad ainda prometeu resistir a qualquer tentativa de vistoriar navios iranianos. A medida está prevista nas sanções adotadas pela ONU no dia 9.

"Não haverá novas negociações antes do fim do mês iraniano de Mordad (equivalente a 22 de agosto)", prometeu Ahmadinejad a jornalistas. A espera é o "preço" que as potências do Conselho de Segurança pagarão por terem imposto uma quarta rodada de sanções contra o Irã.

O líder conservador persa dedicou um espaço especial às críticas ao Congresso americano, que acaba de aprovar um rigoroso pacote de sanções unilaterais contra o Irã. "Nos reservamos o direito de retaliar qualquer erro da parte do Congresso dos EUA", disse. "Somos capazes de defender nossos direitos e vamos fazer eles ? incluindo o senhor (Barack) Obama, que foi eleito com o slogan da mudança ? pagarem por isso."

Sobre as recentes afirmações de Leon Panetta, o chefe da CIA, de que o Irã pode produzir duas ogivas nucleares em cerca de dois anos, Ahmadinejad foi irônico: "Nós perguntamos por que o chefe da CIA não tem medo do estoque de 20 mil armas nucleares (que as potências dispõem hoje), mas teme a possibilidade de o Irã ter 2 bombas." /

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