Teerã admite enriquecimento de urânio em usina subterrânea

Material produzido em bunker pode se tornar material físsil para ogivas de forma mais rápida e com menos trabalho

TEERÃ, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2012 | 03h01

O Irã confirmou ontem que começou a enriquecer urânio em uma usina subterrânea, no bunker de Fordo, perto da cidade de Qom. A informação foi passada à agência Reuters por um alto funcionário do governo, que pediu anonimato. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) anunciou estar ciente da existência da nova central.

"A AIEA confirma que o Irã começou a produzir urânio enriquecido a 20% em Fordo", disse a agência em comunicado. Ali Ashgar Soltanieh, enviado iraniano à AIEA, afirmou que as operações serão fiscalizadas pela ONU. "Todas as atividades nucleares, incluindo o enriquecimento de urânio em Natanz e em Fordo, serão supervisionadas pela AIEA", disse. É a primeira vez que um alto funcionário de Teerã fala abertamente sobre as operações de Fordo.

O enriquecimento a 20% torna o Irã capaz de produzir urânio para pesquisas científicas - principalmente na área médica. O grau de 3,5% seria suficiente para produção de energia elétrica. A fabricação de armas atômicas exige pureza de acima dos 95%.

Atividades subterrâneas dificultam qualquer possibilidade de ataque contra as instalações atômicas do país. O bunker de Fordo está a 80 metros da superfície, protegido por uma camada rochosa e por baterias de mísseis de defesa aérea.

A usina fica a 32 quilômetros de Qom, centro religioso do xiismo. Construída perto de um complexo militar, a usina foi mantida em segredo e só foi reconhecida após ter sido identificada pela inteligência ocidental em setembro de 2009.

Victoria Nuland, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, afirmou que a notícia é a constatação de mais uma violação cometida pelo Irã. "Se eles estiverem enriquecendo urânio a 20% em Fordo, trata-se de um agravamento das violações de suas obrigações nucleares", disse. / AP e REUTERS

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