Teerã ameaça voltar atrás na libertação de militar britânica

A temperatura subiu nesta quinta-feira, 29, na crise diplomática desencadeada pela captura de 15 militares britânicos, por forças iranianas, no Golfo Pérsico, ocorrida no último dia 23. Após receber pressões da ONU e ameaças de uma possível representação contra o Irã no Conselho de Segurança (CS), Teerã ameaçou voltar atrás e atrasar a anunciada libertação de Faye Turney, única mulher entre os britânicos aprisionados. O representante iraniano nas negociações sobre o caso, Ali Larijani, afirmou à rádio estatal iraniana que o país pode atrasar a libertação da militar, caso o Reino Unido oficialize uma reclamação ao CS. Horas antes da resposta iraniana, o Reino Unido havia feito uma consulta ao CS pedindo a imediata libertação dos prisioneiros, sob a justificativa de que os marinheiros operavam em águas iraquianas e que estavam sob o mandato da ONU. Mais cedo, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, também entrou nas negociações. Com o objetivo de pressionar Teerã, o sul-coreano se encontrou nesta quinta-feira, 29, com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, de quem cobrou uma solução no impasse. Mottaki apontou como saída a possibilidade de o Reino Unido admitir que invadiu águas iranianas. No entanto Londres insiste que a captura aconteceu em área de controle iraquiano. "A detenção aconteceu de maneira completamente equivocada, ilegal e inaceitável", afirmou uma autoridade britânica, sob a condição de anonimato, à Associated Press. Negociação tensaA tensão aumentou ainda mais depois de uma TV iraniana divulgou um vídeo em que a prisioneira Faye Turney aparece admitindo que os britânicos estavam em águas iranianas. Para Londres, a declaração deve ter sido obtida sob coação. Nesta quinta-feira, um representante da Chancelaria iraniana classificou como "pouco amistosas" as políticas do governo britânico, que decidiu congelar as relações com o Irã. "As relações já estavam suspensas havia muito tempo", afirmou, referindo-se à pressão britânica para que a ONU condenasse o programa nuclear iraniano. Matéria atualizada às 15h

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