Teerã garante 'apoio total' a Assad e culpa EUA por sequestro de iranianos

O governo do Irã lançou ontem uma ofensiva diplomática em defesa do regime sírio. O principal assessor de segurança nacional iraniano, Said Jalili, visitou em Damasco o ditador Bashar Assad, que apareceu publicamente pela primeira vez em duas semanas. Na reunião, ele prometeu responsabilizar os EUA pela segurança dos 48 iranianos sequestrados por rebeldes sírios. A chancelaria iraniana pediu que Catar e Turquia negociem a libertação dos reféns.

TEERÃ, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2012 | 03h03

Segundo Jalili, a mensagem foi repassada à Embaixada da Suíça em Teerã - Berna representa os interesses americanos porque Washington e Teerã não têm relações diplomáticas. "Os EUA são responsáveis pelas vidas dos 48 peregrinos sequestrados em Damasco", declarou o iraniano. "Os EUA apoiam grupos terroristas e despacham armas para Síria."

O Irã diz que os 48 reféns eram religiosos que viajavam a um santuário xiita. Os rebeldes afirmam que o grupo tem espiões da Guarda Revolucionária do Irã que auxiliam Assad na repressão.

No encontro, o enviado iraniano prometeu a Assad apoio total contra os rebeldes. Segundo ele, a parceria estratégica entre Irã e Damasco não será abalada por inimigos externos. Regimes árabes sunitas do Golfo Pérsico e a Turquia têm apoiado a causa rebelde.

"O Irã não permitirá de jeito nenhum que o eixo da resistência, do qual a Síria é parte essencial, se rompa", acrescentou Jalili. O eixo é formado por Teerã, Damasco e o grupo xiita radical Hezbollah. De acordo com a agência iraniana Fars, Jalili também prometeu ajuda humanitária à Síria.

Assad prometeu esmagar a rebelião contra seu governo. "O povo sírio e seu governo estão determinados a purgar do país os terroristas", declarou. "Lutaremos contra eles sem trégua."

Diplomacia. No fronte diplomático, o Irã pressionou Turquia e Catar a negociar a libertação dos reféns com os rebeldes sírios. O chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, se reuniria ontem com o ministro de Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu. Segundo um porta-voz, ele lembrará o colega turco das responsabilidades de Ancara na crise. Salehi também pediu ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ajuda para libertar os reféns.

O comandante do Exército iraniano, o general Seyed Hassan Firouzabadi, criticou a ação de alguns países da região na crise. "Turquia, Arábia Saudita e Catar devem parar de ajudar as políticas bélicas americanas na Síria", disse.

Em visita à África do Sul, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que o mundo deve se preparar para a Síria pós-Assad. A chefe da diplomacia americana também criticou a infiltração de grupos radicais entre os rebeldes sírios. "Quem tenta explorar a situação para enviar representantes ou terroristas deve se dar conta de que isso não será tolerado", disse.

Confrontos. Os confrontos entre rebeldes sírios e tropas leais a Assad prosseguiam ontem em Alepo e Damasco, as duas principais cidades do país. Em um vídeo divulgado na internet, rebeldes carregavam granadas propelidas por foguete e fuzis para combater em Alepo.

No vídeo, os combatentes dizem que fazem parte da Brigada Unificação, a principal facção rebelde que combate na segunda maior cidade da Síria. "O demônio está do lado deles, mas Deus está do nosso lado", gritavam os combatentes. "Estamos chegando, Alepo." / AP, EFE e REUTERS

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