Teerã já retirou US$ 75 bi de bancos europeus

Segundo revista iraniana, medida busca evitar que fundos fiquem bloqueados sob novas sanções da UE

REUTERS E AP, O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2008 | 00h00

O Irã retirou cerca de US$ 75 bilhões de bancos europeus para impedir que seus fundos sejam bloqueados sob as novas sanções que a União Européia pretende impor por causa de suas ambições nucleares, informou ontem a revista iraniana Shahrvand-e Emrouz.As potências ocidentais ameaçam a república islâmica com mais medidas punitivas após Teerã ter rejeitado uma oferta de incentivos. Mas o Irã, o quarto maior exportador de petróleo, não deu sinais de que pretenda ceder à pressão.''Parte dos fundos do Irã em bancos europeus foi convertida em ouro e ações e o restante foi transferido para bancos asiáticos'', disse a revista semanal, citando Mohsen Talaie, vice-chanceler responsável por questões econômicas. Funcionários iranianos não quiseram comentar a reportagem da Shahrvand-e Emrouz, uma revista moderada, que não especificou o período das transferências, feitas por ordem do presidente Mahmud Ahmadinejad.O jornal iraniano Etema-e Melli, também citando Talaie, informou na semana passada que o Irã estava retirando seu dinheiro de bancos europeus, mas não deu detalhes.No sábado, o Irã reiterou que não vai suspender seu programa de enriquecimento de urânio. O país não respondeu formalmente à oferta de incentivos econômicos e diplomáticos apresentada pelo chefe de assuntos exteriores da UE, Javier Solana. A oferta - acertada no mês passado entre EUA, Grã-Bretanha, Rússia, China, Alemanha e França - é uma versão revisada de uma proposta rejeitada dois anos atrás por Teerã.A recusa do Irã em suspender seu programa de enriquecimento de urânio, que pode ser usado para a fabricação de armas nucleares, já fez com que a ONU aprovasse três séries de sanções contra a república islâmica desde 2006. O regime iraniano alega que tem direito de levar adiante seu programa nuclear e afirma que seus fins são pacíficos.A União Européia concordou ontem com a necessidade de novas sanções contra o Irã. Os chanceleres europeus discutiram a questão em Luxemburgo e, embora não tenham anunciado oficialmente nenhuma medida, Cristina Gallach, porta-voz de Solana, disse que a UE está preparada para adotar uma ação formal. O governo britânico e diplomatas da UE disseram que o bloco, que realizará uma reunião da cúpula na quinta-feira em Bruxelas, vai formalizar o congelamento dos fundos do Banco Melli, o maior do Irã, e fechar seus escritórios em Hamburgo, Paris e Londres.Outro alvo de sanções seriam as indústrias de petróleo e gás, o que poderia afetar seriamente a fragilizada economia do Irã, onde há altas taxas de inflação e desemprego. O Irã tem obtido grandes lucros com os aumentos recordes do preço do petróleo. Em abril, anunciou que suas reservas cambiais haviam atingido mais de US$ 80 bilhões.SANÇÕESMísseis e material nuclear - Em dezembro de 2006, o Conselho de Segurança da ONU proibiu a venda ao Irã de mísseis e materiais que possam ser usados na fabricação de armas nuclearesCongelamento de ativos e proibição de viagens - Cidadãos e grupos iranianos vinculados ao programa nuclear do país tiveram seus ativos congelados. Algumas pessoas foram proibidas de entrar em países que apóiam as sançõesComércio de armas - Em março de 2007, a ONU proibiu os iranianos de exportar armamentoBanco - Grã-Bretanha anunciou ontem que a União Européia congelará os bens do maior banco comercial do Irã, o Banco Melli

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