Teerã organiza encontro nuclear paralelo

Quatro dias após cúpula nos EUA, Ahmadinejad faz reunião de países para pedir 'desarmamento das portências atômicas'

Gustavo Chacra, NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2010 | 00h00

Quatro dias depois de o presidente americano, Barack Obama, ter reunido 47 líderes internacionais em Washington para uma cúpula nuclear, o líder iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, inicia hoje a sua versão paralela da conferência em Teerã, defendendo o desarmamento das potências atômicas, como os próprios EUA.

O número de participantes não foi divulgado, mas autoridades iranianas falam em até 70. Muitos países estarão representados apenas por seus embaixadores na capital iraniana, Teerã, incluindo o Brasil (mais informações nesta página e na página 21).

A Conferência Internacional para o Desarmamento e Não-Proliferação, como é denominado o encontro, terá como slogan "energia nuclear para todos, armas nucleares para ninguém", segundo o site do Ministério das Relações Exteriores do Irã.

Ahmadinejad está escalado para o discurso de abertura do encontro. O objetivo do governo iraniano, junto com alguns aliados, será pressionar as potências atômicas a se desarmarem, enquanto defenderão o direito de desenvolverem energia nuclear dentro dos termos acordados no Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP). Dessa forma, o Irã buscará tirar o foco da proliferação e do terrorismo nuclear, para direcioná-lo ao desarmamento dos países que possuem arsenal nuclear.

Os EUA e outros aliados ocidentais ironizam o encontro. Segundo os americanos, o regime de Teerã está tentando desenvolver armas nucleares, descumprindo o TNP. O Irã nega e afirma que seu programa tem fins civis. A Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA) diz não ter provas conclusivas contra os iranianos, mas ressalta a falta de cooperação do governo.

Procurando alfinetar os americanos, em carta publicada pela agência de notícias Irna, do governo iraniano, Ahmadinejad disse que "nós não precisamos que os EUA façam nada para nos tirar do isolamento. Na verdade, queremos ajudá-los a sair do isolamento". O documento, segundo a Irna, será enviado para Obama.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.