Teerã rejeita proposta americana de negociações bilaterais

O Irã classificou como "uma jogada de propaganda" a oferta dos EUA de iniciar negociações diretas com o país caso Teerã desista de seu programa de enriquecimento de urânio. A proposta foi anunciada nesta quarta-feira pela secretária de Estado americana, Condoleezza Rice. A chefe da diplomacia americana embarcou para Viena, na Áustria, onde discutirá a questão iraniana nesta quinta-feira com representantes de países europeus. Segundo a agência de notícia estatal iraniana Irna, o Irã só aceitará as propostas e condições que estiverem de acordo com os interesses nacionais. "Suspender o programa de enriquecimento de urânio não está de acordo com estes interesses", informou a agência, sem citar a fonte da afirmação.Os Estados Unidos suspenderam os laços diplomáticos com o Irã após a Revolução Islâmica de 1979.Antes de embarcar para Viena, Rice disse que embora os EUA estejam dispostos a se unir às negociações entre os europeus e o Irã, o país também ajudará a preparar um pacote de sanções contra a Nação Islâmica caso Teerã não aceite a nova oferta. "Estamos preparados a seguir os dois caminhos", disse ela.Na Casa Branca, o presidente americano, George W. Bush, comentou o anúncio: "Eu acredito que é importante que resolvamos isso diplomaticamente, e minha decisão hoje é que os Estados Unidos devem tomar a dianteira para solucionar essa questão."A mudança de posição política americana acontece após pressões dos países europeus sobre os EUA. A administração Bush está convencida de que a Rússia e a China apoiarão as sanções ou outras medidas duras caso as negociações para persuadir o Irã venham a falhar.Rice se encontrará nesta quinta-feira com os ministros de Exteriores dos países com poder de veto no Conselho de Segurança. Durante as reuniões, os diplomatas irão finalizar um pacote de incentivos econômicos e ameaças que serão apresentados para que Teerã desista de seu programa de enriquecimento de urânio.Para os americanos e europeus, o Irã esconde planos secretos para produzir armamentos nucleares. A existência de um programa de enriquecimento de urânio seria uma evidência disso. Teerã, por sua vez, nega a acusação, e argumenta que tem por objetivo produzir combustível para reatores de usinas de produção de energia.

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