Teerã testa mísseis de longo alcance

Exercício de guerra próximo ao Estreito do Ormuz, por onde passa a principal rota de petroleiros do mundo, deve se encerrar hoje

TEERÃ, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2012 | 03h03

O governo iraniano testou ontem dois projéteis que descreveu como "mísseis de longo alcance" durante o exercício de guerra que faz no Golfo Pérsico há dez dias. O chefe da Marinha do Irã, almirante Habibollah Sayyari, afirmou que o país tem o controle absoluto do estratégico Estreito de Ormuz, por onde passa a principal rota de transporte de petróleo do mundo.

Teerã afirmou ontem não ter intenção de interromper o tráfego da passagem marítima - o país ameaçara bloquear o trecho caso de sanções internacionais sejam impostas contra sua produção de petróleo -, mas alertou que a simulação de ontem reproduziu uma interdição do local. "Nenhuma ordem foi dada para o fechamento, mas estamos preparados para qualquer cenário. O Estreito de Ormuz está completamente sob nosso controle. Não toleramos que inimigos ameacem nossos interesses", disse Sayyari.

"Realizamos com sucesso disparos de teste envolvendo mísseis terra-mar e terra-terra de longo alcance chamados Qader ('capaz', em farsi) e Nour ('luz')", afirmou o contra-almirante Mahmoud Mousavi, segundo no comando da Marinha do Irã, à TV estatal do país.

Apesar de o termo "longo alcance" ter sido usado no anúncio, a agência de notícia oficial Fars afirmou que o projétil Qader tem capacidade de atingir alvos até a apenas 200 km do local de lançamento. Nenhuma estatística do míssil Nour foi informada.

Em seu ponto de maior proximidade com o Bahrein, o Irã fica a 225 km do reino árabe, que abriga a 5.ª Frota da Marinha dos EUA. Israel, assim como Washington considerado "inimigo" por Teerã, fica a 1.000 km da república islâmica, cujo míssil de maior alcance é o Sajjil-2, capaz de acertar alvos a até 2.400 km.

"Em comparação com uma versão anterior, o altamente avançado sistema de mísseis Qader foi atualizado em seu radar, comunicação via satélite, precisão na destruição de alvos, assim como em seu alcance e capacidade de iludir radares", afirmou Mousavi.

A TV oficial mostrou os dois lançamentos afirmando que os projéteis são capazes de atingir alvos a "centenas de quilômetros" de seus pontos de origem. A narração da transmissão dizia ainda que outros dois mísseis, de menor alcance, também foram testados ontem.

"Conduzimos o exercício para informar a todos que os poderes de defesa e dissuasão do Irã em mar aberto e no Estreito de Ormuz têm como objetivo defender nossas fronteiras, nossos recursos e nossa nação", afirmou Sayyari.

Segundo o governo iraniano, a previsão é a de que o exercício de guerra seja encerrado hoje.

Reações. Israel subestimou as manobras de guerra do Irã, afirmando que as forças de Teerã não têm capacidade de afrontar o armamento ocidental no Golfo. Para o vice-premiê israelense, Moshe Yalon, responsável também pelo Ministério de Assuntos Estratégicos, uma eventual disputa militar com os iranianos "não poderia nem sequer ser classificada como uma luta justa entre ambos os lados".

Para o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, a demonstração de força do Irã "reflete o desespero diante do reforço das sanções", ocorrido principalmente depois de novembro, quando a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) divulgou um relatório sugerindo que o programa nuclear iraniano teria fins militares - o que a república islâmica nega.

A União Europeia considera seguir os EUA no recrudescimento contra os iranianos e, possivelmente, na suspensão das importações do petróleo do Irã, a principal fonte de renda externa do país. Uma interdição do Estreito de Ormuz impediria o transporte de 40% de todo o petróleo produzido no mundo. / AP e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.