Tel-Aviv é alvo de mísseis pela 1ª vez em 21 anos; Israel move tropas rumo a Gaza

A violência entre Israel e Hamas cresceu ontem, entre bombardeios na Faixa de Gaza e disparos de foguetes contra o sul e o centro de Israel - incluindo a região de Tel-Aviv - alvo de ataque pela primeira vez em 21 anos. Um dos 150 projéteis disparados do território palestino atingiu uma casa e matou três civis israelenses. Do outro lado, o número de palestinos mortos chegou a 19, incluindo 5 crianças e uma adolescente grávida.

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2012 | 02h03

Os disparos contra Tel-Aviv marcam uma escalada no conflito e o governo israelense ameaça responder com uma invasão terrestre a Gaza. Sirenes de alerta não soavam na maior cidade e principal centro econômico de Israel desde a Guerra do Golfo, em 1991. O ministro da Defesa, Ehud Barak, prometeu que o Hamas "pagará o preço" por ter atirado contra Tel-Aviv. Um foguete caiu no mar no sul da cidade e outro atingiu o subúrbio de Rishon Letzion, ao sul de Tel-Aviv, sem deixar feridos.

Veículos transportando tanques e tropas em direção a Gaza ocuparam as estradas de Israel ontem. Barak anunciou ainda a convocação de mais 30 mil reservistas.

O estopim da onda de violência ocorreu na quarta-feira, após Israel matar o principal comandante militar do Hamas, Ahmed Jabari. O governo israelense afirma que o ataque foi uma resposta aos disparos diários de foguetes do Hamas e de outras organizações radicais de Gaza.

Israel afirma ter realizado ataques no território palestino contra 156 alvos. Destes, 126 seriam locais de lançamento de foguetes. Nos dois dias de conflito, grupos palestinos teriam disparado mais de 200 projéteis - alguns quase artesanais, outros de longo alcance - contra Israel. O sistema antimíssil israelense, conhecido como "Domo de Ferro", interceptou pelo menos 80 desses foguetes.

Pelo menos cinco crianças palestinas morreram nos ataques aéreos de Israel, incluindo Omar, um bebê de 11 meses, filho de Jehad Mashrawi, editor de fotografia da seção árabe da BBC. Em um sinal de que a violência deve continuar, aviões israelenses despejaram folhetos sobre Gaza alertando a população para manter distância do Hamas e de outros grupos militantes.

A facção que controla Gaza garantiu que a morte de Jabari "abriu as portas do inferno" para Israel. O líder do Hamas foi enterrado ontem, em meio a promessas de vingança. Ao receberem a notícia de que três israelenses haviam morrido, militantes que acompanhavam o corpo dispararam para o alto e entoaram gritos de vitória.

Segundo informações não confirmadas, o professor de uma escola das Nações Unidas foi morto em um bombardeio israelense. O filho de um jornalista que trabalha para a rede BBC também está entre as vítimas em Gaza.

Vários governos europeus culparam o Hamas pela nova espiral de violência em Gaza, ao mesmo tempo que pediram a Israel um cessar-fogo imediato.

A facção islâmica palestina é "o principal responsável" pelos confrontos, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague. A França adotou um tom mais moderado. O chanceler Laurent Fabius afirmou que "Israel tem direito a segurança", mas "não alcançará isso por meio da violência".

Nos EUA, o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner, disse que "não há justificativa para a violência que o Hamas e outras organizações terroristas utilizam contra o povo de Israel". Toner pediu ainda que o governo do Egito use seus contatos com o grupo palestino de Gaza para obter uma solução política. / AP e REUTERS

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