Telefones sem bateria e salas à prova de som na era da espionagem

Na semana passada, um dos três finalistas no processo de escolha dos novos caças de alta tecnologia da Força Aérea, fechou um acord0 de cooperação com o provável fornecedor brasileiro de determinados componentes eletrônicos. Antes dos acertos finais, na sala de reuniões de um hotel de luxo, o executivo tratou de desmontar seu tablet e celular. Todos os participantes do encontro fizeram a mesma coisa, esparramando baterias e fones pela mesa. No local, nenhum telefone fixo. Um cuidado rotineiro em acertos de negócios - no Brasil e no mundo, onde os processos de escuta já estão incorporados à rotina de quem ouve e de quem é ouvido. Os aparelhos de comunicação, mesmo desligados, são ótimos condutores de som. Para evitar o acesso, só mesmo desconectando as fontes de energia. O limite entre a espionagem e a bisbilhotagem é tênue. Nações levantam informações estratégicas de seu interesse por meio de agências de inteligência. Empresas investigam as ações de concorrentes para eventualmente obter vantagem. Nas duas situações a ética passa longe. A revelação do jornalista Gleen Greenwald é sobre o funcionamento do Palácio dos Enigmas, o gigantesco complexo de 13 (ou 19?) organizações americanas de coleta de informações. Cerca de 1 milhão de pessoas trabalham e para o sistema dentro dos Estados Unidos ou em pontos delicados como o Afeganistão. A internet é a plataforma preferida para o trânsito dos dados por razões bem definidas: a rede mundial de computadores é filha legítima da primeira, trilhonária, e nunca completada, versão do programa Guerra nas Estrelas, com o qual o ex-presidente Ronald Reagan pretendia demolir a extinta União Soviética. Não foi preciso tanto. O projeto parou em 1989. A internet, todavia, continuou ativa e em expansão. O Brasil entra na história como a conexão do conjunto na América do Sul. Tem pouco a ver com a repressão ao terrorismo - o País. entretanto, é uma espécie de praça rotatória do tráfego do conhecimento. Os ouvidos e olhos eletrônicos dos EUA estão aqui.

Cenário: Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2013 | 02h08

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