Anthony WALLACE / AFP
Anthony WALLACE / AFP

Telegram em Hong Kong sofreu ataques cibernéticos da China

De acordo com a plataforma de mensagens criptografadas, ofensiva foi lançada durante protestos no território

Rachel Siegel , THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2019 | 20h29

HONG KONG - O Telegram, plataforma de mensagens criptografadas, relatou um ataque cibernético de grande magnitude, “principalmente da China”, enquanto o aplicativo estava sendo usado por manifestantes em Hong Kong. A empresa disse que foi atingida por um poderoso ataque de negativas de distribuição de serviço (DDoS) que lotou os servidores com pedidos de lixo eletrônico. 

Em uma série de tuítes, o Telegram disse que seus servidores foram inundados por dezenas de “pedidos de lixo” que interromperam as conexões dos usuários e impediram os servidores de processar “solicitações legítimas”. As solicitações de lixo não ameaçaram os dados dos usuários, disse a empresa.

Pavel Durov, presidente do Telegram, disse que o ataque cibernético foi atribuído a “endereços vindos principalmente da China” e “coincidiu com os protestos em Hong Kong”. O aplicativo, que diz ter 200 milhões de usuários em todo o mundo, tem sido muito usado em Hong Kong para coordenar manifestações contra um controvertido projeto de lei que autorizaria extradições para a China. 

No começo da semana, a polícia de Hong Kong prendeu Ivan Ip, que dirigia um grupo de mensagens do Telegram com milhares de membros. As autoridades acusaram Ip de conspiração para distúrbio público, segundo o jornal South China Morning Post, de Hong Kong.

Uma leitura da lei de extradição foi adiada pelos legisladores pela segunda vez ontem. As manifestações bloquearam as áreas centrais da cidade e provocaram uma resposta violenta da polícia antimotim.

O Washington Post relatou que boa parte da cidade voltou à normalidade na manhã de ontem, depois que os manifestantes presos foram soltos na quarta-feira. Ainda assim, latas de bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha espalhadas pelas ruas lembravam os distúrbios desta semana. A polícia de Hong Kong disse não ter condições de dar um número específico de pessoas presas durante as marchas. Os manifestantes convocaram novo protesto para domingo. 

Pressão.

O Telegram já foi usado antes em protestos – e enfrentou repressão do governo. No ano passado, Durov disse que o aplicativo combateria as tentativas da Rússia de banir a plataforma por questões de privacidade de dados. Em abril de 2018, um tribunal em Moscou baniu o Telegram depois que a empresa não forneceu as chaves de criptografia para uma agência de segurança russa.

O Irã também pediu que o Telegram bloqueasse “canais terroristas” durante protestos, em janeiro de 2018. Um ministro do governo iraniano disse que se o Telegram não atendesse o pedido, o governo bloquearia o aplicativo. 

Durante os protestos contra o governo iraniano, o Telegram removeu pelo menos um canal que incentivava a violência. No entanto, na época, Durov garantiu que não fecharia outros canais que considerava pacíficos. / W.POST, TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

 

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