Ariana Cubillos / AP
Ariana Cubillos / AP

Telenovelas são afetadas por crise e pressões políticas

Centenas de atores perderam empregos quando emissoras foram fechadas em meio a ofensiva do governo

O Estado de S. Paulo

18 de agosto de 2015 | 19h44

CARACAS - Uma próspera indústria venezuelana – a das telenovelas – luta para sobreviver em meio à crise econômica que afeta o país e a uma ofensiva gradual do governo contra os meios de comunicação.

Em 2007, o governo venezuelano tirou do ar a Radio Caracas Televisión (RCTV), então uma das mais antigas companhias de radiodifusão e produção de telenovelas do país. Ela foi acusada de apoiar, cinco anos antes, um frustrado golpe de Estado contra o então presidente Hugo Chávez.

Centenas de atores, técnicos e roteiristas perderam seus empregos e os estúdios da produtora foram fechados. O êxodo desses profissionais para outros países também contribuiu para agravar o cenário. 

Agora, funcionando como uma pequena companhia de produção, a RCTV está vendendo a telenovela Piel Salvaje para o Equador, onde estreou no mês passado. Os venezuelanos não assistirão à produção.

Piel Salvaje é a primeira produção da RCTV desde que Chávez rejeitou renovar a licença da emissora e confiscou seu equipamento de transmissão. Membros do elenco comparam seu trabalho à luta dos dissidentes políticos.

A derrocada das telenovelas venezuelanas – que já foram grande produto de exportação do país – começou nos anos 90 com a dura competição com as produtoras mexicanas e colombianas. Ela se acelerou com a eleição de Chávez em 1998 e a aprovação de uma lei de 2004 que previa multas às produtoras que não aderissem às normas que definiam seus conteúdos como socialmente responsáveis.

Mas a crise parece estar dando uma segunda oportunidade à indústria. A alta inflação e a moeda desvalorizada permitem a contratação dos profissionais a um baixo preço. Além disso, a venda ao exterior pode permitir ao país obter as divisas de que tanto necessita. / AP 

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