Teles hesitam em atuar na ilha

EUA liberam serviço; dúvida é se cubanos podem pagar

Cecilia Kang, The Washington Post, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2009 | 00h00

As empresas de telecomunicações dos EUA já podem investir em Cuba, agora que o governo de Barack Obama autorizou as operações na ilha. Segundo analistas, porém, antes de entrarem no país, os provedoras de internet e telefonia celular devem analisar o risco de abrir um negócio em um regime comunista com uma das populações mais pobres da região."Cuba não tem se mostrado disposta a permitir que seus cidadãos tenham acesso a tecnologia de comunicação", disse David Gross, assessor de política internacional do ex-presidente George W. Bush. "Agora que os EUA abriram a porta, a questão é se o governo cubano permitirá que as pessoas entrem." A ilha tem a menor porcentagem de assinantes de telefonia fixa, celular e internet da América Latina. Cerca de 11% dos cubanos têm telefonia fixa e 2% têm telefone celular. Pelo plano de Obama, as empresas de telecomunicações americanas podem criar redes de cabo submarinos para conectar os dois países. As operadoras de celular podem assinar contratos com a operadora estatal cubana de telefonia sem fio para oferecer serviços aos moradores e de roaming para os americanos que visitarem a ilha. As TVs por satélite dos EUA, como a Sirius Radio e a Disch Network, poderão transmitir para Cuba. Os cubanos poderão também receber celulares e computadores doados do exterior. Com um salário médio mensal de US$ 15, contudo, eles talvez não tenham condições de pagar pelo serviço. Alguns especialistas questionam se os moradores gastarão seu dinheiro em celulares de última geração, especialmente se o governo limitar o conteúdo da internet. A infraestrutura em Cuba é péssima e os cubanos são pagos em peso, moeda que não vale nada. A maioria está mais preocupada em comprar comida. Muitas empresas não quiseram comentar as mudanças porque aguardam detalhes sobre como essa relação comercial será implementada. No ano passado, Cuba permitiu a compra de celulares, computadores e fornos micro-ondas. Atualmente, uma empresa estatal fornece todos os serviços de telecomunicações para os cubanos. Michael Prior, diretor executivo da Atlantic Tele-Network, operadora de internet no Caribe, diz que o maior retorno de investimento viria dos serviços de comunicação sem fio, o que pode não ocorrer por causa do enorme capital para se instalar linhas de fibra ótica e cabos submarinos em Cuba.

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