Tema fiscal é desafio imediato de vencedor

O eleito terá de enfrentar semanas de negociações com um Congresso dividido

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2012 | 02h03

O vencedor das eleições presidenciais dos Estados Unidos terá de lidar, logo depois do anúncio da vitória, com o abismo fiscal, deixando para um segundo plano até mesmo questões internacionais, como a guerra na Síria e o programa nuclear iraniano. No caso de Barack Obama, mesmo se for derrotado ele ainda terá de lidar com a questão, pois estará oficialmente no cargo até 21 de janeiro.

Depois de passado o entusiasmo com a vitória, o ganhador sabe que serão semanas de negociações com o Congresso, que atualmente está dividido entre a Câmara dos Deputados, controlada pelos republicanos, e o Senado, nas mãos dos democratas. Alguns deputados e senadores estarão em fim de mandato depois de derrotas eleitorais, adicionando mais problemas.

Se o republicano Mitt Romney vencer, será apenas o presidente eleito. Mesmo assim, sabe que, mesmo com a data limite ocorrendo antes de sua posse, precisará se envolver diretamente nas negociações. Obama, em 2008, com a gigantesca crise financeira, montou uma equipe para atuar em coordenação com o governo de George W. Bush.

O abismo fiscal prevê o imediato aumento nos impostos de trabalhadores e dos negócios, além de um amplo corte nos gastos. Caso isso ocorra, certamente reduzirá o déficit americano, mas com um enorme custo econômico para um país que já enfrenta 7,9% de desemprego, segundo números do Departamento do Trabalho.

Cortes. Cerca de mil programas do governo, incluindo as áreas de Educação, Saúde e Defesa serão imediatamente afetados caso não exista um acordo. As outras duas opções são o cancelamento de todos os cortes nos gastos e a elevação nos impostos, evitando o abismo fiscal, mas elevando ainda mais o déficit, já visto por muitos economistas como insustentável.

A alternativa seria uma solução intermediária e o presidente eleito ou reeleito precisará lidar com esse tema assim que os resultados das urnas indicarem o vencedor.

"Nenhum dos envolvidos em Washington está preparado para uma negociação simples. Deve haver uma semana de reflexão depois da eleição, quando os dois lados testarão o significado do resultado para seu poder de barganha", escreveu o analista Sean West, da consultoria de risco político Eurasia, em análise distribuída a bancos e fundos de investimento.

Na avaliação de West, se Obama vencer, ele tende a evitar uma guerra com os republicanos e "tentará cicatrizar o país" para facilitar sua administração em segundo mandato. A chance de um acordo com uma vitória de Romney "será maior porque Obama não quer deixar o legado de ser responsável por uma recessão", acrescenta o analista.

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